UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
Paciente de 24 anos, trabalha como pintor de portões de ferro em funilaria, relata em consulta que não está enxergando, refere que no trabalho, geralmente faz pinturas em ambientes abertos e de máscara, porém há quatro dias, vem fazendo uma pintura em ambiente fechado, pois não consegue tirar o portão do local que está fixado. Você suspeita de intoxicação por metanol e, neste acaso, deverá instituir:
Intoxicação por metanol → Etanol ou Fomepizol para inibir álcool desidrogenase e prevenir metabólitos tóxicos.
Na intoxicação por metanol, o etanol (ou fomepizol) é o antídoto de escolha, pois compete com o metanol pela enzima álcool desidrogenase, impedindo a formação de metabólitos tóxicos como o ácido fórmico, responsável pela acidose metabólica e cegueira.
A intoxicação por metanol é uma emergência toxicológica grave, frequentemente associada à ingestão acidental ou intencional de produtos contendo metanol (solventes, anticongelantes, combustíveis) ou bebidas alcoólicas adulteradas. A história clínica de exposição ocupacional em ambiente fechado, como a descrita, é um forte indício. Os sintomas podem ser tardios, surgindo após um período de latência, e incluem distúrbios visuais progressivos, que podem culminar em cegueira permanente, além de acidose metabólica grave, dor abdominal e depressão do sistema nervoso central. A fisiopatologia da toxicidade do metanol reside na sua metabolização. O metanol é convertido pela álcool desidrogenase em formaldeído, que por sua vez é oxidado pela aldeído desidrogenase em ácido fórmico. É o acúmulo de ácido fórmico que causa a acidose metabólica e os danos teciduais, especialmente na retina e nos gânglios da base. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, história de exposição e confirmação laboratorial dos níveis de metanol e da acidose metabólica. O tratamento da intoxicação por metanol é uma corrida contra o tempo. A conduta imediata inclui a administração de um antídoto que iniba a álcool desidrogenase, como o etanol ou o fomepizol. O etanol, por sua maior afinidade pela enzima, compete com o metanol, retardando sua metabolização em metabólitos tóxicos. Além disso, a correção da acidose metabólica com bicarbonato de sódio e a hemodiálise são frequentemente necessárias para remover o metanol e seus metabólitos do organismo. Residentes devem reconhecer rapidamente este quadro para instituir o tratamento salvador de vidas e prevenir sequelas irreversíveis.
Os sintomas incluem distúrbios visuais (visão turva, cegueira), dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia, tontura e, em casos graves, acidose metabólica, coma e morte.
O etanol tem maior afinidade pela enzima álcool desidrogenase do que o metanol. Ao saturar essa enzima, o etanol impede que o metanol seja metabolizado em ácido fórmico, o metabólito tóxico responsável pelos danos.
A hemodiálise é indicada em casos de acidose metabólica grave, disfunção renal, deterioração clínica apesar do tratamento com antídoto, ou níveis séricos muito elevados de metanol.
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