Intoxicação por Metanol: Diagnóstico e Sinais Oculares

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2018

Enunciado

Homem, 42a, procura atendimento por cegueira abrupta. Antecedente pessoal: trabalhador informal de funilaria e pintura, trabalha com a porta da garagem aberta, mas dias antes do quadro, estava chovendo e acabou trabalhando com a porta fechada. Foi solicitada ao laboratório de toxicologia a análise química dos produtos com os quais trabalha. Além do thinner, é esperado encontrar: 

Alternativas

  1. A) Metanol. 
  2. B) Benzeno. 
  3. C) Etanol. 
  4. D) Chumbo. 

Pérola Clínica

Cegueira abrupta + exposição a solventes (thinner) em ambiente fechado → Intoxicação por Metanol.

Resumo-Chave

A intoxicação por metanol é uma emergência médica que pode causar cegueira permanente e morte. O metanol é metabolizado em ácido fórmico, que é o principal responsável pela toxicidade ocular e acidose metabólica grave. A exposição ocupacional em ambientes fechados é um fator de risco importante.

Contexto Educacional

A intoxicação por metanol é uma emergência toxicológica grave, frequentemente associada à ingestão acidental ou intencional de produtos adulterados ou à exposição ocupacional a solventes em ambientes mal ventilados. A prevalência é maior em populações de baixa renda e em trabalhadores de indústrias que utilizam metanol, como funilarias e fábricas de tintas. O reconhecimento precoce é crucial devido ao alto risco de morbidade e mortalidade, incluindo cegueira permanente. A fisiopatologia da intoxicação por metanol reside na sua metabolização. O metanol é convertido em formaldeído e, subsequentemente, em ácido fórmico, que é o verdadeiro agente tóxico. O ácido fórmico inibe a citocromo oxidase, levando à hipóxia tecidual e acidose metabólica grave, além de ser diretamente tóxico para o nervo óptico. O diagnóstico é baseado na história de exposição, sintomas clínicos (especialmente distúrbios visuais) e exames laboratoriais que mostram acidose metabólica com ânion gap elevado e gap osmolar. A suspeita deve ser alta em pacientes com cegueira súbita e histórico de exposição a solventes. O tratamento visa bloquear o metabolismo do metanol e remover os metabólitos tóxicos. O fomepizol é o antídoto de escolha, inibindo a álcool desidrogenase. O etanol é uma alternativa quando o fomepizol não está disponível. A hemodiálise é indicada para remover o metanol e seus metabólitos, corrigir a acidose e em casos de disfunção renal. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo a cegueira uma sequela comum em casos tardios.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da intoxicação por metanol?

Os principais sinais e sintomas incluem distúrbios visuais que podem progredir para cegueira, dor abdominal, náuseas, vômitos, cefaleia e acidose metabólica grave. Em casos graves, pode levar a coma e morte.

Por que a intoxicação por metanol causa cegueira?

O metanol é metabolizado no fígado em formaldeído e, posteriormente, em ácido fórmico. O ácido fórmico é altamente tóxico para o nervo óptico e a retina, causando edema e isquemia que resultam em perda visual e cegueira permanente.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de intoxicação por metanol?

A conduta inicial envolve estabilização do paciente, correção da acidose metabólica com bicarbonato de sódio, e administração de antídotos como fomepizol ou etanol para inibir a enzima álcool desidrogenase e prevenir a formação de metabólitos tóxicos. Hemodiálise pode ser necessária.

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