INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um paciente com 10 anos, pertencente a uma comunidade ribeirinha na região do Tapajós, é atendido em unidade básica de saúde fluvial por médico de família e comunidade, queixando-se de parestesia e fraqueza em membros inferiores, desequilíbrio, tremores, além de dificuldade de aprendizagem, tonturas e irritabilidade. Os pais relatam que, mais recentemente, a criança vem apresentando também dificuldade para falar. Durante a avaliação dos hábitos da criança, os pais também informam que consomem basicamente mandioca, plantada por eles, e peixes do rio. Referem, ainda, que residem em uma área que já vem sendo ocupada por grupos de garimpeiros ilegais há alguns anos, o que tem alterado as características das águas do rio.Qual é o principal diagnóstico para o caso desse paciente?
Criança ribeirinha + garimpo + peixe + sintomas neurológicos → Intoxicação por mercúrio.
A intoxicação por mercúrio, especialmente metilmercúrio, é uma preocupação em comunidades ribeirinhas próximas a garimpos ilegais, onde o mercúrio é usado e contamina os rios, acumulando-se na cadeia alimentar, principalmente em peixes. Os sintomas são predominantemente neurológicos, como parestesia, fraqueza, desequilíbrio, tremores e dificuldade de aprendizagem, como descrito no caso.
A intoxicação por mercúrio, especialmente na forma de metilmercúrio, é um grave problema de saúde pública em regiões com atividade de garimpo ilegal, como a Amazônia. O mercúrio metálico, utilizado para amalgamar o ouro, é liberado nos rios e convertido em metilmercúrio por microrganismos. Este composto é altamente tóxico e bioacumula-se na cadeia alimentar, atingindo altas concentrações em peixes, que são a base da dieta de muitas comunidades ribeirinhas. O metilmercúrio é um potente neurotóxico, com predileção pelo sistema nervoso central, especialmente em crianças, cujos cérebros estão em desenvolvimento. Os sintomas são variados e podem incluir parestesias, ataxia, disartria, tremores, alterações visuais e auditivas, déficits cognitivos e irritabilidade. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, considerando a história de exposição e os sintomas, e pode ser confirmado pela dosagem de mercúrio no cabelo ou sangue, embora a correlação com a gravidade clínica possa variar. O manejo da intoxicação por mercúrio foca na interrupção da exposição e no tratamento de suporte. A terapia quelante tem eficácia limitada para o metilmercúrio. A prevenção é a medida mais importante, envolvendo o controle do garimpo ilegal, a educação em saúde sobre o consumo seguro de peixes e o monitoramento ambiental e populacional. Para residentes, é fundamental estar atento a esse diagnóstico em contextos epidemiológicos específicos.
Os sintomas incluem parestesia, fraqueza muscular, ataxia (desequilíbrio), tremores, dificuldade de aprendizagem, tonturas, irritabilidade, disartria (dificuldade para falar) e alterações visuais, refletindo a neurotoxicidade do metilmercúrio.
O mercúrio metálico usado no garimpo ilegal é liberado no ambiente aquático, onde é transformado em metilmercúrio por bactérias. Este composto bioacumula-se na cadeia alimentar aquática, sendo o peixe a principal fonte de exposição para humanos que o consomem.
O tratamento envolve a remoção da fonte de exposição e, em casos graves, pode-se considerar a terapia quelante, embora sua eficácia para metilmercúrio seja limitada. O foco principal é a prevenção da exposição e o suporte sintomático.
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