FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2017
Paciente AMS, 54 anos, casado, pardo, natural de Minas Gerais, reside em São Paulo há 20 anos, está em acompanhamento no serviço ambulatorial. Trabalhou 14 anos como operador de produção de indústria de lâmpadas fluorescentes, exercendo a função de operador de máquinas. Em 2002 começou a apresentar sintomas de fraqueza, cansaço, dor muscular generalizada, mudança de comportamento, nervosismo intenso, insônia, sintomas de depressão, distúrbio de memória, cefaleia, tremores nas mãos, desmaios e alucinações visuais. Refere que já perdeu vários dentes, tinha sangramento gengival intenso e sente gosto metálico na boca. O caso corresponde a um quadro de intoxicação por:
Intoxicação Mercúrio: Sintomas neurológicos (tremores, insônia, mudança comportamento) + estomatite + gosto metálico = suspeitar.
O quadro clínico descrito, com sintomas neurológicos (fraqueza, cansaço, nervosismo, insônia, depressão, distúrbio de memória, cefaleia, tremores, desmaios, alucinações) associados a manifestações orais (perda de dentes, sangramento gengival, gosto metálico), é clássico da intoxicação crônica por mercúrio metálico, frequentemente de origem ocupacional.
A intoxicação por mercúrio, também conhecida como hidrargirismo, é uma condição séria que pode resultar da exposição a diferentes formas de mercúrio (elementar, inorgânico ou orgânico). A forma metálica (elementar), frequentemente inalada como vapor em ambientes ocupacionais, é a que mais comumente causa o quadro crônico descrito na questão. A história ocupacional é um dado crucial para a suspeita diagnóstica. Os sintomas são variados e afetam múltiplos sistemas, com destaque para o sistema nervoso central e o trato gastrointestinal. O "eretismo mercurial" é um conjunto de sintomas neuropsiquiátricos que inclui irritabilidade, labilidade emocional, insônia, perda de memória e tremores. As manifestações orais, como gengivite, estomatite, perda dentária e gosto metálico, são também características importantes. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de mercúrio no sangue ou urina. O manejo envolve a remoção da fonte de exposição e, em casos graves, a terapia quelante. É fundamental que médicos, especialmente aqueles que atuam em saúde ocupacional ou emergência, estejam aptos a reconhecer este quadro, pois o diagnóstico precoce e a intervenção podem prevenir danos irreversíveis. A diferenciação de outras intoxicações por metais pesados é essencial para um tratamento adequado.
A intoxicação crônica por mercúrio (hidrargirismo) manifesta-se principalmente por sintomas neurológicos como tremores (eretismo), insônia, irritabilidade, depressão, distúrbios de memória e cefaleia, além de estomatite, gengivite e gosto metálico.
A exposição ocupacional ao mercúrio metálico ocorre frequentemente em indústrias que utilizam o metal, como a fabricação de lâmpadas fluorescentes, termômetros, barômetros, e em mineração de ouro, onde o mercúrio é usado para amalgamar o ouro.
Enquanto o mercúrio causa tremores, eretismo e estomatite, a intoxicação por chumbo (saturnismo) é mais caracterizada por cólica abdominal intensa (cólica saturnina), anemia, encefalopatia e a linha de Burton (linha azul-acinzentada na gengiva).
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