HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022
O uso do carbonato de lítio é fundamental para o tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar, sendo o estabilizador de humor de primeira escolha para grande parte dos quadros, entretanto seu efeito terapêutico é muito próximo à sua toxicidade e o médico deve ficar atento a determinadas condições para evitar iatrogenias. Quais dados da história clínica representam maior risco do desenvolvimento de uma intoxicação aguda?
Nefropatia + uso de tiazídicos ↑ risco de intoxicação por lítio devido a ↓ depuração renal e ↑ reabsorção tubular.
O lítio é excretado quase que exclusivamente pelos rins. Condições que comprometem a função renal, como a nefropatia, reduzem a depuração do lítio, aumentando seus níveis séricos. Diuréticos tiazídicos, por sua vez, aumentam a reabsorção de sódio e, consequentemente, de lítio nos túbulos renais, elevando o risco de toxicidade.
O carbonato de lítio é um estabilizador de humor de primeira linha no tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), eficaz na prevenção de episódios maníacos e depressivos. No entanto, sua estreita janela terapêutica, com níveis séricos tóxicos muito próximos aos terapêuticos, exige monitorização rigorosa e atenção às interações medicamentosas e condições clínicas que afetam sua farmacocinética. A principal via de eliminação do lítio é renal, sendo quase totalmente excretado pelos rins. Portanto, qualquer condição que comprometa a função renal, como a nefropatia, reduz a depuração do lítio e aumenta o risco de acúmulo e toxicidade. Além disso, certos medicamentos podem alterar a reabsorção tubular do lítio. Os diuréticos tiazídicos, por exemplo, aumentam a reabsorção de sódio nos túbulos distais, e como o lítio compete com o sódio pela reabsorção, o aumento da reabsorção de sódio leva a um aumento da reabsorção de lítio, elevando seus níveis séricos. Para evitar a intoxicação por lítio, é fundamental realizar uma avaliação da função renal antes do início do tratamento e monitorar regularmente os níveis séricos de lítio, especialmente ao introduzir ou ajustar medicamentos que possam interagir. Pacientes com nefropatia ou em uso de tiazídicos requerem doses mais baixas de lítio e monitorização mais frequente, sendo a educação do paciente sobre os sinais de toxicidade também um pilar importante.
Os sintomas podem variar de leves a graves, incluindo náuseas, vômitos, diarreia, tremores, ataxia, disartria, sonolência, confusão, e em casos graves, convulsões, coma e arritmias cardíacas.
A nefropatia compromete a capacidade dos rins de excretar o lítio, que é quase totalmente eliminado por via renal. Com a função renal reduzida, o lítio se acumula no organismo, elevando seus níveis séricos a patamares tóxicos.
Os diuréticos tiazídicos promovem a reabsorção de sódio nos túbulos renais. Como o lítio é reabsorvido de forma semelhante ao sódio, o aumento da reabsorção de sódio induzido pelos tiazídicos leva a um aumento concomitante da reabsorção de lítio, elevando seus níveis séricos.
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