UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
A respeito da superdosagem inapropriada de ibuprofeno, pode-se afirmar que:
Superdosagem de ibuprofeno → Sintomas precoces (4-6h), autolimitados e suporte clínico.
A maioria das intoxicações por ibuprofeno é leve e autolimitada. Os sintomas surgem rapidamente e o tratamento é focado em suporte, sem necessidade de níveis séricos rotineiros.
O ibuprofeno é um dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) mais utilizados na pediatria e clínica médica, o que torna sua superdosagem um evento frequente em prontos-socorros. Sua toxicidade decorre principalmente da inibição inespecífica das ciclo-oxigenases (COX-1 e COX-2), levando à redução de prostaglandinas protetoras na mucosa gástrica e nos rins. Na prática, doses abaixo de 100 mg/kg raramente causam sintomas. Doses entre 100-400 mg/kg podem causar toxicidade leve a moderada, e doses acima de 400 mg/kg são potencialmente fatais. O médico deve estar atento à acidose metabólica e distúrbios eletrolíticos em grandes ingestões. A rápida absorção e o curto tempo de meia-vida explicam por que os sintomas aparecem e desaparecem em um intervalo de 24 horas, conferindo um prognóstico geralmente excelente quando o suporte adequado é instituído.
Os sintomas de superdosagem de ibuprofeno geralmente se manifestam de forma precoce, entre 4 a 6 horas após a ingestão. A maioria dos pacientes apresenta quadros leves, caracterizados por náuseas, vômitos, dor epigástrica e letargia. Em ingestões de doses muito elevadas (> 400 mg/kg), podem ocorrer manifestações mais graves, como depressão do sistema nervoso central (coma, convulsões), acidose metabólica com hiato aniônico elevado, insuficiência renal aguda e, raramente, hipotensão. No entanto, a grande maioria dos casos resolve-se espontaneamente dentro de 24 horas com cuidados mínimos.
Diferente do paracetamol, onde o nomograma de Rumack-Matthew é essencial para decidir o uso de N-acetilcisteína, para o ibuprofeno não existe uma padronização de níveis séricos que correlacione de forma confiável a concentração plasmática com a toxicidade clínica. A dosagem de ibuprofeno não é disponível rotineiramente na maioria dos centros de emergência e não tem papel relevante na definição da conduta terapêutica imediata. A decisão clínica baseia-se na história da dose ingerida (mg/kg) e na presença de sintomas.
O tratamento é essencialmente de suporte. Para ingestões recentes (dentro de 1-2 horas) de doses potencialmente tóxicas (> 100-200 mg/kg), o carvão ativado pode ser considerado. Não existe antídoto específico. O manejo inclui hidratação venosa para manter o fluxo urinário e proteger a função renal, antieméticos para o controle de vômitos e protetores gástricos se houver dor abdominal importante. Medidas como diurese forçada ou alcalinização urinária não são eficazes, pois o ibuprofeno é altamente ligado a proteínas e extensamente metabolizado pelo fígado, com pouca excreção renal do fármaco inalterado.
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