IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021
Um paciente de 26 anos dá entrada na emergência com quadro de náuseas, vômitos, dor abdominal, redução no volume urinário, seguidos de sinais de paralisia facial, visão turva, desorientação e crise convulsiva. Acompanhante informa a ingesta de cerveja artesanal cerca de 48 horas atrás. Suspeitou-se de intoxicação exógena por etilenoglicol. Ainda sobre o enunciado da questão anterior, assinale a alternativa CORRETA em relação à medida terapêutica de escolha:
Intoxicação por etilenoglicol → fomepizole inibe álcool desidrogenase, prevenindo metabólitos tóxicos.
Em intoxicação por etilenoglicol, o fomepizole é a terapia de escolha por inibir competitivamente a álcool desidrogenase, enzima que metaboliza o etilenoglicol em metabólitos tóxicos (ácido glicólico, ácido oxálico) responsáveis pela acidose metabólica, insuficiência renal e danos neurológicos.
A intoxicação por etilenoglicol é uma emergência médica grave, frequentemente associada à ingestão acidental ou intencional de produtos como anticongelantes ou, como no caso, contaminação em bebidas. A toxicidade não é causada pelo etilenoglicol em si, mas por seus metabólitos, especialmente o ácido glicólico e o ácido oxálico, que são produzidos pela ação da enzima álcool desidrogenase. Esses metabólitos causam acidose metabólica com gap aniônico elevado, insuficiência renal aguda (pela deposição de cristais de oxalato de cálcio nos túbulos renais) e disfunção neurológica, incluindo convulsões e coma. O diagnóstico é suspeitado pela história de ingestão e pelo quadro clínico de sintomas gastrointestinais, neurológicos e renais, além da presença de acidose metabólica com gap aniônico elevado. A confirmação é feita pela dosagem dos níveis séricos de etilenoglicol. O tratamento visa primeiramente impedir a formação dos metabólitos tóxicos. O fomepizole é o antídoto de escolha, atuando como um inibidor competitivo da álcool desidrogenase, com alta afinidade por essa enzima, impedindo a conversão do etilenoglicol em seus metabólitos tóxicos. Além do fomepizole, o etanol intravenoso pode ser usado como alternativa se o fomepizole não estiver disponível, pois também compete pela álcool desidrogenase. A hemodiálise é uma medida crucial em casos de intoxicação grave, pois remove o etilenoglicol e seus metabólitos do sangue, corrigindo a acidose e prevenindo danos orgânicos. A reposição de bicarbonato de sódio é utilizada para corrigir a acidose metabólica, mas não trata a causa subjacente. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente essa condição e iniciar o tratamento adequado para minimizar a morbimortalidade.
Os sintomas da intoxicação por etilenoglicol progridem em fases: inicial (gastrointestinais e neurológicos leves), intermediária (acidose metabólica grave, taquipneia, disfunção cardiovascular) e tardia (insuficiência renal aguda, danos neurológicos como paralisia facial e convulsões).
O fomepizole é o antídoto de escolha porque inibe competitivamente a enzima álcool desidrogenase, responsável por metabolizar o etilenoglicol em seus metabólitos tóxicos (ácido glicólico e ácido oxálico). Ao bloquear essa via, ele impede a formação das substâncias que causam a toxicidade sistêmica.
A hemodiálise é indicada em casos de acidose metabólica grave refratária, insuficiência renal aguda, deterioração clínica apesar do tratamento com fomepizole/etanol, ou concentrações muito elevadas de etilenoglicol. Ela remove tanto o etilenoglicol quanto seus metabólitos tóxicos do corpo.
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