Intoxicação por Digoxina: Diagnóstico e Manejo Clínico

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 83 anos, com história de insuficiência cardíaca e em uso de carvedilol 3,125mg de 12/12h, enalapril 5mg de 12/12h, furosemida 40mg e digoxina 0,250mg 1x/dia, procurou atendimento por quadro de dor abdominal, diarreia, oligúria e confusão mental. Refere início do quadro há cerca de 4 dias e que há um dia vem apresentando uma visão pouco amarelada. Ao exame, apresentava-se com pressão arterial de 90x60mmHg, frequência cardíaca de 38bpm, mucosas secas e dor abdominal difusa a palpação. Demais exames físicos sem alterações dignas de nota. Exames laboratoriais iniciais mostravam uma disfunção renal com creatinina de 2,8mg/dL, ureia de 160mg/dL, potássio de 5,8mg/dL, nível de digoxina de 2,5ng/dL. Sobre o caso, marque a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Idade avançada, insuficiência renal e descompensação das doenças de base são fatores de risco para o quadro acima.
  2. B) O eletrocardiograma associado a essa condição pode apresentar infradesnivelamento do segmento ST, onda T plana ou negativa (conhecido com “pá de pedreiro”) e intervalo QT curto.
  3. C) O tratamento dessa condição baseia-se em suspensão do medicamento culpado, hidratação e, em alguns casos, é necessário o implante de marca-passo até a compensação clínica.
  4. D) Com o aumento da incidência e prevalência da insuficiência cardíaca, cada vez mais é possível encontrar casos como esse, uma vez que o uso da medicação envolvida no quadro é essencial no tratamento dessa doença.

Pérola Clínica

Intoxicação digitálica: bradicardia, distúrbios visuais (xantopsia), GI, neurológicos e ECG 'pá de pedreiro'.

Resumo-Chave

A toxicidade por digoxina é uma complicação grave, especialmente em idosos e pacientes com disfunção renal, devido à sua estreita janela terapêutica. Manifesta-se com sintomas cardíacos (bradicardia, arritmias), gastrointestinais, neurológicos e visuais, como a xantopsia.

Contexto Educacional

A intoxicação por digoxina, embora menos comum com o declínio de seu uso generalizado, ainda é uma condição relevante, especialmente em pacientes idosos e com comorbidades. A digoxina possui uma janela terapêutica estreita, e sua toxicidade pode ser precipitada por fatores como disfunção renal, hipocalemia e interações medicamentosas. É crucial para o residente reconhecer os sinais e sintomas precocemente. As manifestações clínicas são variadas, abrangendo sistemas cardíaco (bradicardia, arritmias), gastrointestinal (náuseas, vômitos, diarreia), neurológico (confusão, fadiga) e visual (xantopsia). O diagnóstico é confirmado pela dosagem sérica da digoxina e alterações típicas no ECG. A fisiopatologia envolve a inibição da bomba Na+/K+-ATPase, levando a um aumento do cálcio intracelular e alterações eletrofisiológicas. O tratamento da intoxicação digitálica envolve a suspensão imediata da medicação, correção de distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia), suporte hemodinâmico e, em casos graves com arritmias ameaçadoras à vida ou hipercalemia severa, a administração de fragmentos de anticorpos antidigoxina (Fab). O manejo da bradicardia pode exigir atropina ou marca-passo temporário.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da intoxicação por digoxina?

Os sinais e sintomas incluem bradicardia, arritmias cardíacas (como bloqueios AV), náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia, confusão mental, fadiga e distúrbios visuais como a xantopsia (visão amarelada).

Quais fatores aumentam o risco de toxicidade por digoxina?

Idade avançada, insuficiência renal (reduzindo a depuração da digoxina), hipocalemia, hipomagnesemia, hipotiroidismo e interações medicamentosas (ex: amiodarona, verapamil) são fatores de risco importantes.

Como o eletrocardiograma se apresenta na intoxicação digitálica?

O ECG pode mostrar bradicardia sinusal, bloqueios atrioventriculares, extrassístoles ventriculares e alterações do segmento ST e onda T, como o infradesnivelamento em 'pá de pedreiro' e ondas T planas ou invertidas, além de encurtamento do intervalo QT.

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