Intoxicação por Descongestionante Nasal em Lactentes: Sinais e Manejo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, 3m, previamente hígido, é trazido a emergência com história de coriza e obstrução nasal há quatro dias e febre hoje. Medicamentos em uso: descongestionante nasal e antitérmicos. Exame físico: ativo e reativo, FC= 186bpm, PA= 95x52mmHg, FR= 40irpm, T= 40,2°C, sudorese profusa, pulsos cheios, perfusão periférica= 2 segundos, midríase bilateral, hiperreflexia, fontanela normotensa, pele sem lesões. O DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Lactente com febre alta, taquicardia, midríase e hiperreflexia pós-descongestionante nasal → suspeitar de intoxicação simpaticomimética.

Resumo-Chave

Descongestionantes nasais contendo simpaticomiméticos (como pseudoefedrina ou fenilefrina) são contraindicados em lactentes devido ao risco de toxicidade grave, manifestada por sinais de hiperestimulação do sistema nervoso central e cardiovascular. O quadro pode mimetizar sepse ou outras condições graves.

Contexto Educacional

A intoxicação por descongestionantes nasais em lactentes é uma emergência pediátrica subestimada, frequentemente decorrente do uso inadequado de medicamentos de venda livre. A imaturidade metabólica e a maior proporção de superfície corporal em relação ao peso tornam os lactentes particularmente vulneráveis aos efeitos tóxicos de substâncias simpaticomiméticas, como pseudoefedrina e fenilefrina, presentes nesses produtos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves. O quadro clínico é caracterizado por uma síndrome de hiperestimulação simpática, com febre alta, taquicardia, hipertensão, midríase, sudorese, agitação, irritabilidade e hiperreflexia. Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões, arritmias cardíacas e coma. O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos achados do exame físico, sendo importante diferenciar de outras causas de febre e taquicardia em lactentes, como sepse. O tratamento é de suporte, visando estabilizar o paciente e controlar os sintomas. Inclui monitorização contínua dos sinais vitais, controle da temperatura, hidratação e, se necessário, uso de benzodiazepínicos para sedação e controle de convulsões. A educação dos pais sobre os riscos e a contraindicação do uso desses medicamentos em crianças pequenas é fundamental para a prevenção.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de intoxicação por descongestionante nasal em lactentes?

Os sinais incluem febre alta, taquicardia, hipertensão, sudorese profusa, midríase, hiperreflexia, irritabilidade e, em casos graves, convulsões ou arritmias.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de intoxicação por simpaticomiméticos em lactentes?

A conduta inicial envolve suporte vital, monitorização cardíaca e neurológica, controle da temperatura e, se necessário, sedação com benzodiazepínicos para agitação e convulsões.

Por que descongestionantes nasais são contraindicados em lactentes?

Descongestionantes nasais contêm substâncias simpaticomiméticas que podem causar efeitos adversos graves no sistema cardiovascular e nervoso central de lactentes, que são mais sensíveis a essas drogas.

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