Intoxicação por Cromo: Sinais Clínicos e Diagnóstico

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2017

Enunciado

Um médico de família avalia um trabalhador com as seguintes características : prurido nasal, rinorreia e epistaxe; irritação de conjuntiva com lacrimejamento e irritação de garganta; na pele, observa-se erupções vesiculares e ulcerações de aspecto circular com dupla borda, a externa rósea e a interna escura (necrose), aspecto característico de “olho-de-pombo”. Nesse caso o profissional de saúde deve suspeitar de intoxicação por:

Alternativas

  1. A) Cromo.
  2. B) Alumínio.
  3. C) Asbesto.
  4. D) Sílica.

Pérola Clínica

Úlcera "olho-de-pombo" na pele e irritação de vias aéreas superiores → forte suspeita de intoxicação por cromo.

Resumo-Chave

A descrição das lesões cutâneas ("olho-de-pombo") e dos sintomas respiratórios e oculares é clássica da exposição ocupacional ao cromo, especialmente o cromo hexavalente. Este metal é um irritante potente e corrosivo, causando lesões características na pele e mucosas.

Contexto Educacional

A intoxicação por cromo, especialmente o cromo hexavalente, é uma importante doença ocupacional que os médicos de família e do trabalho devem estar aptos a reconhecer. A exposição ocorre em diversas indústrias, como galvanoplastia, soldagem e curtumes. A importância clínica reside na capacidade do cromo de causar danos significativos à pele, mucosas e vias aéreas, além de ser um carcinógeno conhecido. A fisiopatologia envolve a alta reatividade do cromo hexavalente, que atua como um potente irritante e corrosivo. Na pele, causa dermatite de contato irritativa e úlceras características, conhecidas como "olho-de-pombo", devido à sua dupla borda (externa rósea, interna necrótica). Nas vias aéreas superiores, provoca rinite, rinorreia, epistaxe e, em casos mais graves, perfuração do septo nasal. A irritação conjuntival e de garganta também são sintomas comuns. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história ocupacional detalhada e nos achados físicos. A remoção da fonte de exposição é a medida mais importante no tratamento. O manejo é sintomático para as lesões cutâneas e mucosas. A prevenção, através de medidas de segurança e higiene industrial, é crucial para evitar a exposição e suas consequências a longo prazo, incluindo o risco aumentado de câncer de pulmão.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais locais de exposição ocupacional ao cromo?

A exposição ao cromo ocorre em indústrias como galvanoplastia, soldagem, curtumes, produção de pigmentos, cimento e ligas metálicas. O cromo hexavalente é a forma mais tóxica e relevante em ambientes de trabalho.

Além das lesões cutâneas e nasais, quais outros órgãos podem ser afetados pela intoxicação por cromo?

A exposição crônica ao cromo pode afetar o sistema respiratório (asma, bronquite, perfuração de septo nasal), rins (nefropatia), fígado e, em casos de ingestão, o sistema gastrointestinal. É também um carcinógeno conhecido.

Como é feito o diagnóstico e tratamento da intoxicação por cromo?

O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos achados físicos, e pode ser confirmado por dosagem de cromo em urina ou sangue. O tratamento envolve a remoção da fonte de exposição, tratamento sintomático das lesões e, em casos graves, quelantes como o EDTA.

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