Manejo da Intoxicação por Cocaína e Dor Torácica na Emergência

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Sérgio, um homem de 28 anos, é levado ao pronto-socorro por amigos após participar de uma festa rave. Ele apresenta agitação psicomotora intensa, fala desconexa, sudorese profusa e queixa-se de dor torácica retroesternal em aperto que se irradia para o braço esquerdo. Ao exame físico, o paciente está em regular estado geral, extremamente ansioso, com pressão arterial de 190/115 mmHg, frequência cardíaca de 132 bpm e pupilas midriáticas bilateralmente. O eletrocardiograma realizado na admissão demonstra taquicardia sinusal e um supradesnivelamento do segmento ST de 2 mm nas derivações V1 a V4, que regrediu parcialmente após 15 minutos de observação. Diante da principal hipótese diagnóstica de intoxicação aguda por cocaína, qual é a conduta farmacológica inicial MAIS adequada para o controle da agitação e dos sintomas cardiovasculares?

Alternativas

  1. A) Administração de benzodiazepínicos endovenosos, como o diazepam.
  2. B) Administração de flumazenil endovenoso para controle da agitação.
  3. C) Realização de trombólise química com alteplase devido ao supra de ST.
  4. D) Uso imediato de betabloqueadores, como o metoprolol ou propranolol.

Pérola Clínica

Na intoxicação por cocaína, use benzodiazepínicos e evite betabloqueadores para prevenir o efeito alfa sem oposição.

Resumo-Chave

O tratamento inicial foca no controle da hiperestimulação simpática com benzodiazepínicos. Betabloqueadores são contraindicados pelo risco de vasoconstrição coronariana grave.

Contexto Educacional

A intoxicação aguda por cocaína é uma causa comum de dor torácica em adultos jovens, caracterizada por um estado hiperadrenérgico. A droga bloqueia a recaptação de catecolaminas, resultando em taquicardia, hipertensão e midríase. O manejo inicial prioriza a sedação com benzodiazepínicos, que reduzem a pressão arterial e a frequência cardíaca ao diminuir o drive simpático central. É crucial evitar o uso de betabloqueadores isolados, pois o bloqueio dos receptores beta-2 (vasodilatadores) deixa os receptores alfa-1 (vasoconstritores) sem oposição, podendo exacerbar o vasoespasmo coronariano e a hipertensão sistêmica. Se a dor torácica persistir após benzodiazepínicos, nitratos ou bloqueadores dos canais de cálcio podem ser considerados para manejo do vasoespasmo.

Perguntas Frequentes

Por que evitar betabloqueadores na intoxicação por cocaína?

Eles causam estimulação alfa-adrenérgica sem oposição, levando a vasoconstrição coronariana e hipertensão grave.

Qual a primeira linha de tratamento para agitação por cocaína?

Benzodiazepínicos endovenosos (ex: diazepam) para reduzir a atividade simpática central e os sintomas cardiovasculares.

O supra de ST na cocaína sempre indica trombólise?

Não, o supra pode ser decorrente de vasoespasmo que reverte com benzodiazepínicos; a trombólise tem riscos aumentados de sangramento.

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