Intoxicação por Cocaína: Manejo da Dor Precordial

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Analise as afirmativas a seguir sobre intoxicação aguda por cocaína acompanhada de dor precordial:I) Em caso de necessidade de intubação orotraqueal, a succinilcolina é preferível ao rocurônio para a indução em “sequência rápida”.II) Quando há emergência hipertensiva, o tratamento ideal é com fentolamina, nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio.III)Inibidores do receptor β adrenérgico devem ser evitados, porém quando seu o uso é necessário, deve-se, preferencialmente, utilizar labetalol ou carvediolol (inibidores dos receptores α e β adrenérgicos).Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) I e III
  2. B) II e III
  3. C) I
  4. D) II

Pérola Clínica

Intoxicação por cocaína + dor precordial: Evitar betabloqueadores puros; tratar hipertensão com fentolamina/nitratos.

Resumo-Chave

Na intoxicação por cocaína, a estimulação adrenérgica pode causar vasoconstrição coronariana e hipertensão. Betabloqueadores puros são contraindicados pelo risco de bloqueio beta sem bloqueio alfa, exacerbando a vasoconstrição. Labetalol (alfa e beta) e fentolamina (alfa) são opções melhores para emergência hipertensiva.

Contexto Educacional

A intoxicação aguda por cocaína é uma emergência médica comum, frequentemente associada a dor precordial e síndrome coronariana aguda devido à intensa estimulação simpática. A cocaína inibe a recaptação de noradrenalina, dopamina e serotonina, levando a um aumento de catecolaminas na fenda sináptica, resultando em vasoconstrição coronariana, aumento da demanda miocárdica de oxigênio e agregação plaquetária. O manejo da dor precordial e da emergência hipertensiva é crucial. Benzodiazepínicos são a primeira linha para controlar a agitação e a estimulação simpática. Para a hipertensão grave, vasodilatadores como fentolamina (um bloqueador alfa-adrenérgico), nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio são indicados. É fundamental evitar betabloqueadores puros (como metoprolol ou propranolol), pois o bloqueio dos receptores beta sem o bloqueio concomitante dos receptores alfa pode levar a uma vasoconstrição coronariana e sistêmica não oposta, piorando a isquemia e a hipertensão. Em situações onde um betabloqueador é considerado necessário, como para taquiarritmias refratárias, um agente com atividade alfa e beta-bloqueadora, como o labetalol ou carvedilol, seria a escolha mais segura. Quanto à intubação orotraqueal, a succinilcolina pode induzir liberação de catecolaminas e hipercalemia, sendo o rocurônio geralmente preferível para indução em sequência rápida em pacientes com intoxicação por cocaína, a menos que haja contraindicações específicas.

Perguntas Frequentes

Por que betabloqueadores puros são contraindicados na intoxicação por cocaína?

Betabloqueadores puros bloqueiam os receptores beta, mas deixam os receptores alfa desimpedidos, o que pode levar a uma vasoconstrição coronariana e sistêmica exacerbada, piorando a isquemia e a hipertensão.

Quais são as opções de tratamento para emergência hipertensiva na intoxicação por cocaína?

As opções incluem vasodilatadores como fentolamina (bloqueador alfa), nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio. Benzodiazepínicos também são importantes para controlar a agitação e a estimulação simpática.

Qual a relevância da succinilcolina versus rocurônio na intubação de pacientes com intoxicação por cocaína?

A succinilcolina pode causar liberação de catecolaminas e hipercalemia, o que pode ser problemático em pacientes já com estimulação simpática. O rocurônio é geralmente preferível, especialmente se houver risco de hipercalemia ou arritmias.

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