UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente masculino, de 42 anos, veio à Emergência queixando-se de dor abdominal em cólica, de severa intensidade, associada a constipação intestinal, sem alívio com analgésicos. Referiu fadiga, irritabilidade, dores articulares de início insidioso e piora gradual nas últimas 3 semanas. Informou trabalhar de forma autônoma, em uma empresa própria nos fundos da sua residência, com reciclagem de baterias automotivas e outros produtos para reciclagem. Os exames laboratoriais demonstraram anemia, além de ácido úrico e creatinina acima do limite da normalidade. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor abdominal em cólica + constipação + anemia + nefropatia + exposição ocupacional (baterias) → Intoxicação por chumbo.
O quadro clínico do paciente (dor abdominal em cólica, constipação, fadiga, irritabilidade, dores articulares, anemia, hiperuricemia e insuficiência renal) associado à sua ocupação (reciclagem de baterias automotivas, que contêm chumbo) é altamente sugestivo de intoxicação por chumbo, também conhecida como saturnismo. O chumbo é um metal pesado que afeta múltiplos sistemas orgânicos.
A intoxicação por chumbo, ou saturnismo, é uma condição grave causada pela acumulação de chumbo no organismo, um metal pesado tóxico que afeta múltiplos sistemas. Embora a exposição ambiental tenha diminuído em muitos países devido à remoção do chumbo da gasolina e tintas, a exposição ocupacional ainda é uma preocupação significativa, especialmente em indústrias como reciclagem de baterias, fundição e fabricação de munições. As manifestações clínicas da intoxicação por chumbo são variadas e dependem do nível e duração da exposição. Sintomas comuns incluem dor abdominal em cólica (cólica saturnina), constipação, fadiga, irritabilidade, cefaleia e dores articulares. Em níveis mais elevados, pode causar anemia microcítica hipocrômica (devido à interferência na síntese do heme), neuropatia periférica (clássica "mão caída" ou "pé caído"), encefalopatia (especialmente em crianças), nefropatia crônica com hipertensão e hiperuricemia (gota saturnina). O diagnóstico é feito pela dosagem do chumbo no sangue (chumbo sanguíneo), que é o marcador mais confiável da exposição recente. O tratamento envolve a remoção da fonte de exposição e, em casos de níveis elevados de chumbo ou sintomas graves, a terapia de quelação com agentes como EDTA, succimer ou dimercaprol. A prevenção é fundamental e baseia-se em medidas de segurança ocupacional e monitoramento regular dos trabalhadores expostos.
A intoxicação por chumbo pode afetar múltiplos sistemas. As manifestações incluem cólica abdominal (cólica saturnina), constipação, anemia microcítica hipocrômica, neuropatia periférica (pé caído, mão caída), encefalopatia (em casos graves), nefropatia (insuficiência renal), hipertensão e hiperuricemia (gota saturnina).
Baterias automotivas contêm chumbo em suas placas. Trabalhadores envolvidos na reciclagem, fabricação ou manuseio inadequado de baterias podem inalar poeiras de chumbo ou ingerir partículas de chumbo através da contaminação das mãos, levando à absorção do metal pesado e consequente intoxicação.
A intoxicação por chumbo pode causar nefropatia crônica, levando à elevação da creatinina e, consequentemente, à insuficiência renal. Além disso, o chumbo interfere na excreção renal de ácido úrico, resultando em hiperuricemia, que pode precipitar crises de gota (gota saturnina).
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