UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Homem de 32 anos apresenta dor abdominal em cólica, intensa, associada à reação de defesa. Hemograma: anemia com indícios de hemólise. A explicação mais provável é intoxicação crônica por
Dor abdominal em cólica + anemia hemolítica → suspeitar de intoxicação crônica por chumbo (saturnismo).
A intoxicação crônica por chumbo (saturnismo) é classicamente associada a dor abdominal em cólica intensa ("cólica saturnina") e anemia, que pode ter um componente hemolítico (pela inibição da síntese do heme e fragilidade eritrocitária) e sideroblástico.
A intoxicação por chumbo, ou saturnismo, é uma condição de saúde pública relevante, especialmente em contextos de exposição ocupacional ou ambiental. O chumbo é um metal pesado que não possui função biológica no organismo e é tóxico para múltiplos sistemas, incluindo o hematológico, neurológico, renal e gastrointestinal. Clinicamente, a intoxicação crônica por chumbo pode se manifestar com uma variedade de sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico. No entanto, a cólica abdominal intensa e difusa, conhecida como "cólica saturnina", é um achado clássico e doloroso. No hemograma, é comum encontrar anemia, que pode ser microcítica e hipocrômica, com pontilhado basofílico nos eritrócitos, e ter componentes hemolíticos e sideroblásticos devido à interferência do chumbo na síntese do heme. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de chumbo no sangue (chumbo sérico). O tratamento consiste na interrupção da exposição e, em casos de níveis elevados ou sintomáticos, na terapia quelante para remover o chumbo do corpo. A prevenção é fundamental, com controle rigoroso das fontes de exposição.
Os sintomas incluem cólica abdominal intensa (cólica saturnina), anemia (hemolítica e sideroblástica), neuropatia periférica (pé caído, mão caída), encefalopatia (em casos graves), nefropatia e linha de Burton (gengival).
O chumbo interfere em várias etapas da síntese do heme, inibindo enzimas como a ALA desidratase e a ferroquelatase. Isso resulta em acúmulo de protoporfirina eritrocitária e ferro, levando a anemia sideroblástica e, em parte, hemolítica devido à fragilidade dos eritrócitos.
O tratamento envolve a remoção da fonte de exposição ao chumbo e, em casos de níveis elevados ou sintomas graves, a quelação com agentes como EDTA cálcio dissódico, succímero (DMSA) ou dimercaprol (BAL).
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