INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um menino com 2 anos chega para atendimento no serviço de urgência com a mãe, que conta que ele ingeriu desinfetante há menos de uma hora. Ao exame, a criança apresenta-se consciente, irritada, chorosa, normotérmica, corada e hidratada, exalando um leve odor de desinfetante pela boca. Suas conjuntivas estão claras, as pupilas, isocóricas e fotorreativas; o ritmo cardíaco é regular em 2 tempos, sem sopros. Além disso, apresenta: perfusão periférica normal; frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto; pressão arterial de 80 × 50 mmHg; frequência respiratória de 20 incursões por minuto, eupneica; murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos adventícios.A conduta inicial no atendimento dessa criança é
Ingestão de cáusticos em crianças: NUNCA induzir vômito ou neutralizar. Avaliar mucosa oral e observar.
Em casos de ingestão de substâncias cáusticas, como desinfetantes, a conduta inicial é avaliar a extensão da lesão na mucosa oral e observar o paciente. A indução de vômito ou o uso de agentes neutralizantes são contraindicados, pois podem agravar as lesões ou causar aspiração.
A intoxicação por cáusticos em crianças, frequentemente por ingestão acidental de produtos de limpeza como desinfetantes, é uma emergência pediátrica grave. A rápida identificação e o manejo adequado são cruciais para prevenir sequelas graves, como estenoses esofágicas. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos ocorre em crianças pequenas devido à curiosidade e ao acesso facilitado a esses produtos em casa. A fisiopatologia envolve a necrose tecidual por liquefação (álcalis) ou coagulação (ácidos), causando lesões que variam de eritema a perfuração. O diagnóstico inicial baseia-se na história e no exame físico, com atenção especial à mucosa oral. É fundamental não induzir vômito, não tentar neutralizar a substância e não administrar carvão ativado, pois essas medidas podem agravar o quadro ou mascarar a gravidade. A suspeita deve ser alta mesmo com exame oral normal, pois lesões esofágicas podem estar presentes. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente e na avaliação da extensão da lesão. A observação por 2 a 4 horas é essencial para verificar a integridade da mucosa e a ausência de sintomas. Em casos de suspeita de lesão esofágica, a endoscopia digestiva alta deve ser realizada nas primeiras 24 horas. O prognóstico depende da gravidade das lesões, podendo variar de recuperação completa a necessidade de intervenções cirúrgicas para estenoses.
Os sinais de alerta incluem dor oral ou retroesternal, disfagia, sialorreia, vômitos, estridor e desconforto respiratório. A ausência de lesões orais não exclui lesões esofágicas.
Induzir o vômito é contraindicado porque a substância cáustica causaria uma segunda lesão ao passar novamente pelo esôfago, além de aumentar o risco de aspiração pulmonar, que pode ser fatal.
A observação clínica é crucial para monitorar o desenvolvimento de sintomas e sinais de lesão esofágica ou gástrica, que podem não ser imediatamente evidentes. A endoscopia digestiva alta pode ser necessária para avaliar a extensão das lesões internas.
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