Intoxicação por Brugmansia: Manejo e Antídoto

SMS São José do Rio Preto - Secretaria Municipal de Saúde (SP) — Prova 2024

Enunciado

Conhecida popularmente como "Trombeta de Anjo", "Zabumba", "Saia-branca", "Cartucheira", entre outros, a planta da espécie Brugmansia suaveolens é relativamente bem conhecida no Brasil, bastante tóxica e também associada a usos recreativos como droga psicoativa, em especial por adolescentes.Em relação à intoxicação por Brugmansia suaveolens assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A fisostigmina pode ser usada somente em pacientes com distúrbios neuropsíquicos graves
  2. B) A atropina endovenosa em altas doses é o tratamento de escolha
  3. C) O esvaziamento gástrico precoce (vômitos) é contra indicado nos casos de intoxicação poringestão de partes da planta
  4. D) O uso de benzodiazepínicos é contra indicado para o controle da agitação e perturbação psíquica, pois podem potencializar a depressão neurológica 

Pérola Clínica

Intoxicação por Brugmansia (anticolinérgica): Fisostigmina para distúrbios neuropsíquicos graves.

Resumo-Chave

A Brugmansia suaveolens contém alcaloides anticolinérgicos (atropina, escopolamina), causando uma síndrome anticolinérgica. A fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, é o antídoto específico, mas seu uso é restrito a casos de distúrbios neuropsíquicos graves e refratários, devido aos seus potenciais efeitos adversos cardíacos.

Contexto Educacional

A Brugmansia suaveolens, popularmente conhecida como 'Trombeta de Anjo', é uma planta ornamental comum no Brasil, mas altamente tóxica devido à presença de alcaloides tropânicos, como atropina, escopolamina e hiosciamina. A ingestão de qualquer parte da planta pode levar a uma síndrome anticolinérgica, caracterizada por uma série de sintomas que afetam múltiplos sistemas, sendo os distúrbios neuropsíquicos os mais proeminentes e perigosos. Os sintomas da intoxicação anticolinérgica incluem midríase (pupilas dilatadas), pele seca e avermelhada, taquicardia, boca seca, retenção urinária, hipertermia, e, crucialmente, agitação, alucinações, delírio e coma. O tratamento é primariamente de suporte, visando estabilizar o paciente e controlar os sintomas. Para o controle da agitação e perturbação psíquica, os benzodiazepínicos são a primeira linha de tratamento, sendo seguros e eficazes. O esvaziamento gástrico (indução de vômitos) é contraindicado devido ao risco de aspiração, especialmente em pacientes com alteração do nível de consciência. A fisostigmina, um inibidor reversível da acetilcolinesterase, é o antídoto específico para a síndrome anticolinérgica, pois aumenta a disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, revertendo os efeitos dos alcaloides. No entanto, seu uso é reservado para casos de distúrbios neuropsíquicos graves e refratários à sedação com benzodiazepínicos, ou para arritmias cardíacas graves, devido ao seu potencial de causar bradicardia, assistolia e convulsões. A decisão de usar fisostigmina deve ser cuidadosamente ponderada, considerando os riscos e benefícios em cada paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da intoxicação por Brugmansia suaveolens?

A intoxicação por Brugmansia suaveolens causa uma síndrome anticolinérgica, com sintomas como midríase, pele seca e avermelhada, taquicardia, retenção urinária, boca seca, hipertermia e, principalmente, distúrbios neuropsíquicos como agitação, alucinações, delírio e coma.

Quando a fisostigmina é indicada no tratamento da intoxicação por Brugmansia?

A fisostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase que reverte os efeitos anticolinérgicos. Sua indicação é restrita a pacientes com intoxicação grave por Brugmansia que apresentam distúrbios neuropsíquicos severos (delírio, alucinações, agitação incontrolável) ou convulsões refratárias a benzodiazepínicos, devido ao risco de bradicardia e assistolia.

Qual a conduta inicial para o controle da agitação em intoxicação anticolinérgica?

A conduta inicial para o controle da agitação e perturbação psíquica na intoxicação anticolinérgica são os benzodiazepínicos (ex: diazepam, midazolam). Eles são seguros e eficazes para sedação, reduzindo o risco de lesões e complicações associadas à agitação, e não potencializam a depressão neurológica de forma contraindicada.

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