FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
Uma criança de 3 anos é trazida ao pronto-socorro por ter ingerido, há cerca de 3 horas, alguns medicamentos de sua avó, que tem hipertensão arterial, asma e diabete mellitus. A criança é admitida no hospital com saturação arterial de 97%, frequência cardíaca de 45 bpm, pressão arterial de 60x35 mmHg, frequência respiratória de 18 mpm e glicemia capilar de 250 g/di. O mais provável medicamento envolvido na intoxicação desta criança é um:
Intoxicação por BCC → bradicardia, hipotensão e hiperglicemia por inibição da liberação de insulina.
A intoxicação por bloqueadores do canal de cálcio (BCC) é uma emergência grave, caracterizada pela tríade de bradicardia, hipotensão e hiperglicemia. A hiperglicemia ocorre devido à inibição da liberação de insulina pelas células beta pancreáticas, que dependem do influxo de cálcio.
A intoxicação exógena em pediatria é uma emergência comum e potencialmente grave, exigindo rápido reconhecimento e manejo. Crianças são particularmente vulneráveis devido à sua curiosidade e menor peso corporal, o que as torna mais suscetíveis a doses tóxicas de medicamentos de adultos. A anamnese detalhada sobre os medicamentos disponíveis no ambiente e os sintomas apresentados é crucial para o diagnóstico. Os bloqueadores do canal de cálcio (BCC) são medicamentos amplamente utilizados para hipertensão, angina e arritmias. Sua ingestão acidental por crianças pode levar a um quadro de intoxicação grave, caracterizado por bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), hipotensão (pressão arterial baixa) e hiperglicemia (aumento da glicose no sangue). A bradicardia e a hipotensão resultam da inibição do influxo de cálcio nos miócitos cardíacos e nas células musculares lisas vasculares, comprometendo a contratilidade miocárdica e a resistência vascular periférica. A hiperglicemia é um achado distintivo, decorrente da inibição da liberação de insulina pelas células beta pancreáticas, que dependem do cálcio para sua função. O manejo da intoxicação por BCC inclui medidas de suporte, descontaminação gastrointestinal (se precoce), e antídotos específicos como cálcio intravenoso (para reverter os efeitos cardiovasculares) e glucagon (que age por via não-cálcio-dependente para aumentar o AMPc e a contratilidade cardíaca). Insulina em altas doses e emulsão lipídica também podem ser utilizadas em casos refratários. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente este quadro para instituir o tratamento adequado e evitar complicações fatais.
Os principais sinais incluem bradicardia, hipotensão e hiperglicemia. Podem ocorrer também náuseas, vômitos, letargia e, em casos graves, choque cardiogênico e coma.
A hiperglicemia ocorre porque os bloqueadores do canal de cálcio inibem o influxo de cálcio nas células beta do pâncreas, o que prejudica a liberação de insulina, resultando em aumento dos níveis de glicose no sangue.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente (ABC), descontaminação gastrointestinal (se apropriado e precoce), administração de cálcio intravenoso, glucagon e, em casos refratários, vasopressores, insulina em altas doses e emulsão lipídica.
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