HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Uma criança de 3 anos é trazida ao pronto-socorro por ter ingerido, há cerca de 3 horas, alguns medicamentos de sua avó, que tem hipertensão arterial, asma e diabete mellitus. A criança é admitida no hospital com saturação arterial de 97%, frequência cardíaca de 45 bpm, pressão arterial de 60x35 mmHg, frequência respiratória de 18 mpm e glicemia capilar de 250 g/dl. O mais provável medicamento envolvido na intoxicação desta criança é um:
Criança + bradicardia + hipotensão + hiperglicemia após ingestão de medicação de avó = Intoxicação por Bloqueador de Canal de Cálcio (BCC).
A tríade de bradicardia, hipotensão e hiperglicemia em uma criança com suspeita de intoxicação medicamentosa é altamente sugestiva de ingestão de bloqueadores de canal de cálcio (BCCs), que são comumente usados para hipertensão e arritmias em idosos.
Intoxicações medicamentosas em crianças são emergências pediátricas frequentes, e a ingestão acidental de medicamentos de adultos é uma causa comum. Os bloqueadores de canal de cálcio (BCCs) são particularmente perigosos devido à sua alta toxicidade e aos efeitos cardiovasculares e metabólicos graves que podem causar, mesmo em pequenas doses. A apresentação clínica de bradicardia, hipotensão e hiperglicemia é um forte indicativo de intoxicação por BCCs, exigindo reconhecimento rápido e manejo agressivo para prevenir morbidade e mortalidade significativas.
Os principais sinais incluem bradicardia (FC baixa), hipotensão (PA baixa), e hiperglicemia. Podem ocorrer também alterações do estado mental e, em casos graves, choque cardiogênico.
Os bloqueadores de canal de cálcio podem inibir a liberação de insulina pelas células beta do pâncreas, resultando em hiperglicemia, mesmo em pacientes sem histórico de diabetes.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, descontaminação gastrointestinal (se apropriado), e administração de antídotos como cálcio intravenoso, glucagon e, em casos graves, terapia com insulina e glicose em altas doses (euglicemia hiperinsulinêmica).
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