Intoxicação por Betabloqueadores: O Papel do Glucagon

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

Em relação aos quadros de intoxicação exógena, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico da intoxicação por opioide é feito por meio de dosagem na urina, que apresenta boa correlação com a gravidade dos sintomas.
  2. B) A alcalinização da urina com bicarbonato de sódio está indicada em casos graves de intoxicação por benzodiazepínicos.
  3. C) A intoxicação pelo etilenoglicol, rotineiramente, inicia-se com acidose metabólica com ânion gap diminuído, hiperventilação e edema agudo de pulmão.
  4. D) O glucagon é o tratamento inicial de escolha no paciente intoxicado com betabloqueador, apresentando bradicardia e hipotensão sintomáticos.
  5. E) Haloperidol é a droga de escolha para o controle da agitação e sintomas adrenérgicos nos quadros de intoxicação aguda por cocaína.

Pérola Clínica

Intoxicação por betabloqueador com bradicardia/hipotensão → Glucagon é tratamento inicial.

Resumo-Chave

Em casos de intoxicação grave por betabloqueadores, que se manifesta com bradicardia e hipotensão sintomáticas, o glucagon é o tratamento de escolha. Ele age ativando a adenilil ciclase independentemente dos receptores beta-adrenérgicos, aumentando o AMP cíclico e melhorando a contratilidade miocárdica e a frequência cardíaca.

Contexto Educacional

As intoxicações exógenas representam um desafio diagnóstico e terapêutico na emergência, exigindo conhecimento específico sobre os agentes tóxicos e seus antídotos. A intoxicação por betabloqueadores é particularmente perigosa devido aos seus efeitos cardiovasculares, como bradicardia e hipotensão, que podem levar a choque cardiogênico e morte se não forem rapidamente manejados. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais. A fisiopatologia da intoxicação por betabloqueadores envolve o bloqueio dos receptores beta-adrenérgicos, resultando em diminuição da frequência cardíaca, contratilidade miocárdica e condução atrioventricular. O glucagon atua como um antídoto eficaz porque contorna o bloqueio beta-adrenérgico, ativando diretamente a adenilil ciclase e aumentando o AMP cíclico intracelular, o que melhora a função cardíaca. O tratamento da intoxicação por betabloqueadores começa com medidas de suporte, como estabilização hemodinâmica com fluidos e vasopressores. No entanto, em casos de bradicardia e hipotensão refratárias, o glucagon é a terapia de primeira linha. Outras opções incluem cálcio intravenoso, terapia de alta dose de insulina e euglicemia (HIET) e, em situações extremas, marcapasso transcutâneo ou ECMO. O manejo deve ser individualizado e guiado pela gravidade do quadro clínico.

Perguntas Frequentes

Qual o mecanismo de ação do glucagon na intoxicação por betabloqueadores?

O glucagon ativa a adenilil ciclase diretamente, independentemente dos receptores beta-adrenérgicos, aumentando os níveis intracelulares de AMP cíclico, o que melhora a contratilidade miocárdica e a frequência cardíaca, contornando o bloqueio beta.

Quais são os sinais e sintomas de intoxicação grave por betabloqueadores?

Os sinais incluem bradicardia, hipotensão, choque cardiogênico, hipoglicemia, broncoespasmo e, em casos graves, pode evoluir para coma e convulsões, exigindo intervenção imediata.

Quais outras medidas são importantes no manejo da intoxicação por betabloqueadores?

Além do glucagon, incluem lavagem gástrica (se precoce), carvão ativado, fluidos intravenosos, vasopressores, cálcio IV, e terapia de alta dose de insulina e euglicemia (HIET) para casos refratários.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo