HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020
Homem, 38 anos de idade, previamente em seguimento por epilepsia, depressão e transtorno de ansiedade generalizada, em uso contínuo de valproato de sódio, amitriptilina e diazepam. Há 30 minutos, foi encontrado desacordado em casa, arresponsivo aos chamados. O acompanhante refere presença de 2 cartelas de diazepam 10mg vazias (aproximadamente 15 comprimidos por cartela) perto do paciente. Na sala de emergência: paciente sem abertura ocular ao chamado, sem resposta verbal, não localiza estímulo doloroso, porém sem respostas patológicas, pupilas isocóricas fotorreagentes. Frequência cardíaca: 88 batimentos/minuto, frequência respiratória: 10 incursões/minuto, pressão arterial: 108 x 74 mmHg, Saturação O₂: 95%, em ar ambiente, repouso; glicemia capilar: 88 mg/dL. Sem alterações em semiologias pulmonar, cardíaca ou abdominal. Realizada monitorização e acesso venoso, qual deve ser a próxima conduta neste momento?
Intoxicação por benzodiazepínicos com depressão respiratória (FR 10 irpm) → priorizar via aérea e ventilação (IOT).
A depressão respiratória é a complicação mais grave da intoxicação por benzodiazepínicos. Uma frequência respiratória de 10 incursões/minuto, mesmo com SatO2 de 95% em ar ambiente, indica hipoventilação significativa e risco iminente de insuficiência respiratória, justificando a intubação orotraqueal para proteção da via aérea e suporte ventilatório.
A intoxicação por benzodiazepínicos é uma ocorrência comum em serviços de emergência, frequentemente associada a tentativas de suicídio ou uso recreativo. Embora geralmente causem depressão do sistema nervoso central, a principal preocupação é a depressão respiratória, que pode levar à hipoxemia, hipercapnia e, se não tratada, a danos cerebrais irreversíveis ou óbito. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e no suporte das funções vitais. A avaliação da via aérea e da respiração é prioritária. Pacientes com Glasgow < 8, hipoventilação significativa (como FR < 10-12 irpm), ou sinais de insuficiência respiratória iminente necessitam de intubação orotraqueal para proteção da via aérea e ventilação mecânica. Outras medidas de descontaminação, como carvão ativado, têm janelas de tempo limitadas e são contraindicadas em pacientes com rebaixamento do nível de consciência sem proteção de via aérea. O flumazenil, embora seja um antídoto, não é recomendado para a maioria dos casos de intoxicação por benzodiazepínicos devido ao risco de convulsões, especialmente em pacientes com uso crônico, dependência ou coingestão de substâncias pró-convulsivantes. O tratamento é primariamente de suporte, com monitorização contínua e manejo das complicações.
Os principais sinais incluem depressão do sistema nervoso central (sonolência, letargia, coma), depressão respiratória (bradipneia, hipoventilação), hipotensão e bradicardia. A gravidade é avaliada pela escala de coma de Glasgow e pela frequência respiratória.
A intubação orotraqueal é indicada quando há comprometimento da via aérea (perda de reflexos protetores), depressão respiratória grave (FR < 10-12 irpm, hipoxemia ou hipercapnia) ou instabilidade hemodinâmica que não responde a outras medidas.
O flumazenil é um antagonista competitivo dos receptores benzodiazepínicos, mas seu uso é controverso e geralmente não recomendado de rotina. É reservado para casos selecionados de depressão respiratória isolada e iatrogênica, devido ao risco de precipitar convulsões em pacientes com uso crônico ou coingestão de tricíclicos.
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