Intoxicação por Antidepressivo Tricíclico: Manejo na Emergência

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 56 anos, em acompanhamento ambulatorial por transtorno depressivo e epilepsia, vem trazida por colegas do trabalho, após ter sido encontrada caída no banheiro da empresa. À entrada na sala de emergência, apresentou crise convulsiva tônico-clônica generalizada. Ao exame físico, apresentava pele seca e quente, PA 180 x 88 mmHg, frequência cardíaca 130 bpm. Glicemia capilar 134 mg/dL. Eletrocardiograma com alargamento de QRS. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, a hipótese e a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Intoxicação por fenobarbital. Lavagem gástrica e hemodiálise.
  2. B) Intoxicação por benzodiazepínicos. Flumazenil.
  3. C) Síndrome serotoninérgica. Hemodiálise.
  4. D) Intoxicação por fenitoína. Lavagem gástrica e alcalinização sérica.
  5. E) Intoxicação por antidepressivo tricíclico. Lavagem gástrica e alcalinização sérica.

Pérola Clínica

Intoxicação por ATC → Crise convulsiva, taquicardia, pele seca/quente, QRS alargado = Lavagem gástrica + alcalinização sérica.

Resumo-Chave

A intoxicação por antidepressivos tricíclicos (ATC) é uma emergência médica que se manifesta com sinais anticolinérgicos (pele seca e quente, taquicardia), convulsões e cardiotoxicidade, sendo o alargamento do QRS um achado eletrocardiográfico crucial. O tratamento envolve medidas de descontaminação e alcalinização sérica para reduzir a toxicidade cardíaca.

Contexto Educacional

A intoxicação por antidepressivos tricíclicos (ATC) é uma emergência médica grave, frequentemente associada a tentativas de suicídio, dada a sua alta toxicidade. É crucial para o médico residente reconhecer rapidamente os sinais e sintomas, que incluem a síndrome anticolinérgica (taquicardia, pele seca e quente, midríase, retenção urinária), alterações neurológicas como convulsões e coma, e especialmente a cardiotoxicidade. A fisiopatologia da cardiotoxicidade dos ATC envolve o bloqueio dos canais de sódio rápidos no miocárdio, o que se manifesta no eletrocardiograma como um alargamento do complexo QRS. Este achado é um marcador prognóstico importante e um guia para o tratamento. A suspeita deve ser alta em pacientes com histórico de depressão ou epilepsia que apresentam quadro súbito de convulsão, taquicardia e alterações eletrocardiográficas. O tratamento inicial foca na estabilização do paciente, descontaminação gástrica (se ingestão recente) e, fundamentalmente, na alcalinização sérica com bicarbonato de sódio. O bicarbonato de sódio aumenta o pH sérico, o que reduz a ligação dos ATC aos canais de sódio cardíacos, revertendo o alargamento do QRS e diminuindo o risco de arritmias fatais. A hemodiálise não é eficaz devido às características farmacocinéticas dos ATC.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da intoxicação por antidepressivos tricíclicos?

A intoxicação por ATC manifesta-se com sinais anticolinérgicos (midríase, pele seca e quente, taquicardia, retenção urinária), alterações neurológicas (convulsões, coma) e cardiotoxicidade, como alargamento do QRS e arritmias.

Por que o alargamento do QRS é um achado importante na intoxicação por ATC e qual a conduta?

O alargamento do QRS indica cardiotoxicidade grave devido ao bloqueio dos canais de sódio pelos ATC. A conduta imediata é a alcalinização sérica com bicarbonato de sódio, que ajuda a reverter esse bloqueio e estabilizar o miocárdio.

Qual o papel da lavagem gástrica e da hemodiálise no tratamento da intoxicação por ATC?

A lavagem gástrica pode ser considerada em casos de ingestão recente (até 1-2 horas) de grandes quantidades. A hemodiálise não é eficaz na intoxicação por ATC devido ao alto volume de distribuição e ligação proteica dos tricíclicos.

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