Intoxicação por Antidepressivo Tricíclico: Manejo Cardíaco

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020

Enunciado

Adolescente, sexo feminino, 14 anos, após tentativa de suicídio com ingestão de antidepressivo tricíclico de sua avó, manifestou parada cardiorrespiratória. Durante a reanimação cardiopulmonar, observou-se o seguinte ritmo no monitor cardíaco: A análise do monitor cardíaco permite afirmar que o traçado eletrocardiográfico demonstra ritmo de:

Alternativas

  1. A) taquicardia ventricular, que pode ser responsiva ao uso de atropina.
  2. B) taquicardia supraventricular, que pode ser responsiva à adenosina.
  3. C) taquicardia ventricular, que pode ser responsiva à desfibrilação (choque no modo não sincronizado.
  4. D) fibrilação ventricular, que pode ser responsiva à desfibrilação (choque no modo não sincronizado.

Pérola Clínica

Intoxicação por TCA → Taquicardia ventricular (QRS largo) → Desfibrilação (choque não sincronizado).

Resumo-Chave

A intoxicação por antidepressivos tricíclicos (TCA) é uma causa comum de cardiotoxicidade, manifestando-se frequentemente como taquicardia ventricular com QRS alargado. Em caso de instabilidade hemodinâmica ou parada cardiorrespiratória, a desfibrilação (choque não sincronizado) é a conduta de escolha para ritmos chocáveis como a taquicardia ventricular sem pulso ou fibrilação ventricular.

Contexto Educacional

A intoxicação por antidepressivos tricíclicos (TCA) é uma emergência médica grave, frequentemente associada a tentativas de suicídio. Os TCAs possuem um índice terapêutico estreito e sua toxicidade é dose-dependente, afetando principalmente o sistema cardiovascular e o sistema nervoso central. A cardiotoxicidade é a principal causa de morbimortalidade, manifestando-se por prolongamento do QRS, arritmias ventriculares e hipotensão. A fisiopatologia da cardiotoxicidade dos TCAs envolve o bloqueio dos canais rápidos de sódio no miocárdio, o que retarda a condução elétrica e prolonga o QRS. Isso predispõe a taquicardias ventriculares polimórficas, incluindo Torsades de Pointes, e fibrilação ventricular. O diagnóstico é clínico, com histórico de ingestão e achados eletrocardiográficos característicos. O manejo da intoxicação por TCA é complexo e inclui medidas de suporte, descontaminação gastrointestinal (se precoce), e tratamento específico da cardiotoxicidade. Para taquicardia ventricular ou fibrilação ventricular, a desfibrilação elétrica não sincronizada é a intervenção imediata. A administração de bicarbonato de sódio intravenoso é crucial para reverter os efeitos cardiotóxicos, pois a alcalinização sérica diminui a ligação do TCA aos canais de sódio. Monitoramento intensivo e suporte hemodinâmico são essenciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais efeitos cardiotóxicos da intoxicação por antidepressivos tricíclicos?

A intoxicação por antidepressivos tricíclicos (TCA) pode causar prolongamento do intervalo QRS, taquicardia sinusal, taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. Esses efeitos resultam do bloqueio dos canais rápidos de sódio no miocárdio, levando a distúrbios de condução e arritmias malignas.

Qual a conduta inicial para taquicardia ventricular em intoxicação por TCA com instabilidade hemodinâmica?

Em caso de taquicardia ventricular com instabilidade hemodinâmica ou parada cardiorrespiratória (TV sem pulso/FV) devido à intoxicação por TCA, a desfibrilação (choque não sincronizado) é a conduta de escolha. Além disso, a alcalinização sérica com bicarbonato de sódio é fundamental para reverter a cardiotoxicidade.

Por que o bicarbonato de sódio é usado na intoxicação por TCA?

O bicarbonato de sódio é usado para alcalinizar o sangue, o que aumenta a ligação do TCA às proteínas plasmáticas e diminui a quantidade de fármaco livre que pode bloquear os canais de sódio cardíacos. Isso ajuda a estreitar o QRS e a estabilizar o miocárdio, reduzindo o risco de arritmias malignas.

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