HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025
A intoxicação por Anestésicos Locais (ALs) é uma emergência médica que exige tratamento imediato e adequado para evitar complicações graves. Sobre o manejo da intoxicação por ALs, analise as proposições: I. A hipoxemia, hipercapnia e acidose devem ser corrigidas rapidamente, pois perpetuam os sintomas da intoxicação por ALs. II. A administração de benzodiazepínicos, como propofol ou tiopental, é recomendada para tratar hipotensão severa causada por intoxicação por ALs. III. A emulsão lipídica a 20% é indicada como parte do tratamento da intoxicação por ALs, auxiliando na redução dos níveis de anestésico livre no organismo. Dessa forma, é CORRETO afirmar:
Intoxicação por ALs: Corrigir hipoxemia/acidose e usar emulsão lipídica 20% são cruciais; benzodiazepínicos para convulsões, não para hipotensão severa.
No manejo da intoxicação por Anestésicos Locais (ALs), a rápida correção da hipoxemia, hipercapnia e acidose é vital, pois essas condições exacerbam a toxicidade. A emulsão lipídica a 20% é um tratamento específico e eficaz, atuando como um 'sink' para o anestésico. Benzodiazepínicos são indicados para convulsões, mas não para hipotensão severa, que requer vasopressores e fluidos.
A intoxicação por Anestésicos Locais (ALs), também conhecida como Síndrome de Toxicidade Sistêmica por Anestésicos Locais (LAST), é uma emergência rara, mas potencialmente fatal, que pode ocorrer após a administração de ALs. É crucial que residentes de anestesiologia, emergência e cirurgia estejam aptos a reconhecer e manejar essa condição rapidamente. A fisiopatologia envolve a absorção sistêmica excessiva do AL, levando a concentrações plasmáticas tóxicas que afetam o sistema nervoso central e o sistema cardiovascular. O diagnóstico da LAST é clínico, baseado no aparecimento de sintomas neurológicos (como convulsões) e/ou cardiovasculares (como arritmias ou hipotensão) após a administração de um AL. A prevenção é a melhor estratégia, incluindo o uso da menor dose eficaz, aspiração antes da injeção e uso de doses-teste. No entanto, quando ocorre, o manejo imediato é essencial para evitar desfechos catastróficos. O tratamento da LAST é multifacetado e inclui suporte básico de vida (manutenção das vias aéreas, oxigenação e ventilação), controle de convulsões (benzodiazepínicos), tratamento de arritmias (evitar betabloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio) e, fundamentalmente, a administração precoce de emulsão lipídica a 20%. A correção de hipoxemia, hipercapnia e acidose é prioritária, pois essas condições agravam a toxicidade. O prognóstico depende da rapidez e adequação do tratamento.
A hipoxemia, hipercapnia e acidose exacerbam a toxicidade dos anestésicos locais, diminuindo o limiar convulsivo e aumentando a cardiotoxicidade. A acidose, em particular, favorece a forma ionizada do AL, que é mais ativa nos canais de sódio cardíacos, tornando o coração mais suscetível a arritmias e depressão miocárdica.
A emulsão lipídica atua por um mecanismo de 'sink' ou 'sumidouro', criando um compartimento lipídico no plasma que sequestra o anestésico local lipofílico, reduzindo sua concentração livre nos tecidos-alvo (coração e cérebro). Além disso, pode melhorar a função miocárdica e a bioenergética cardíaca.
As manifestações podem ser neurológicas (tontura, zumbido, dormência perioral, disartria, convulsões, coma) e cardiovasculares (hipotensão, bradicardia, arritmias ventriculares, assistolia). As neurológicas geralmente precedem as cardiovasculares, mas em doses muito elevadas ou injeção intravascular rápida, as cardiovasculares podem ser as primeiras a aparecer.
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