Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024
Paciente do sexo masculino de 13 anos, 30kg, vítima de queda de uma árvore com vários ferimentos corto contusos superficiais em tronco e abdome. Após exame físico e exames de imagem, equipe da cirurgia geral, neurocirurgia e ortopedia descartaram lesões significativas. Manteve-se estável hemodinamicamente, eupneico e consciente. O residente de cirurgia geral ficou responsável pela sutura dos ferimentos. Foi feito anestesia local com lidocaína 2% sem vasoconstritor, com uso total de 30ml. Após 30min, paciente cursa com hipotensão, confusão mental, convulsão e parada cardíaca. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Intoxicação por lidocaína: dose excessiva → SNC (confusão, convulsão) e cardiovascular (hipotensão, bradicardia, parada).
A intoxicação por lidocaína ocorre por doses excessivas ou absorção rápida, afetando primariamente o sistema nervoso central (SNC) com sintomas como confusão, tontura, convulsões, e o sistema cardiovascular, levando a hipotensão, bradicardia e até parada cardíaca. A dose máxima de lidocaína 2% sem vasoconstritor é de 4,5 mg/kg. Para um paciente de 30kg, a dose máxima seria 135mg. 30ml de lidocaína 2% equivalem a 600mg, uma dose maciçamente tóxica.
A intoxicação por anestésicos locais, como a lidocaína, é uma complicação grave, mas evitável, que pode ocorrer devido à administração de doses excessivas, injeção intravascular acidental ou absorção rápida em tecidos vascularizados. É fundamental que residentes e profissionais de saúde conheçam as doses máximas e os sinais de toxicidade para garantir a segurança do paciente. A toxicidade da lidocaína manifesta-se em dois sistemas principais: o sistema nervoso central (SNC) e o sistema cardiovascular (SCV). No SNC, os sintomas progridem de parestesias periorais, tontura e zumbido para agitação, tremores, disartria e, em casos graves, convulsões e coma. No SCV, a lidocaína pode causar hipotensão, bradicardia, arritmias ventriculares e, finalmente, parada cardíaca, devido à sua ação depressora sobre o miocárdio e o sistema de condução. O manejo da intoxicação por lidocaína exige reconhecimento rápido e intervenção imediata. A prioridade é o suporte das vias aéreas e ventilação, controle de convulsões com benzodiazepínicos e tratamento da hipotensão e bradicardia. Em casos de toxicidade cardiovascular refratária, a terapia com emulsão lipídica intravenosa (Intralipid 20%) é a medida mais eficaz, agindo como um 'sumidouro' para o anestésico local. A prevenção é a melhor estratégia, através do cálculo correto da dose, aspiração antes da injeção e uso de vasoconstritores quando apropriado.
Os primeiros sinais de toxicidade por lidocaína geralmente envolvem o SNC, como tontura, zumbido, parestesias periorais, disartria, confusão mental e tremores, podendo progredir para convulsões.
A dose máxima recomendada de lidocaína sem vasoconstritor é de 4,5 mg/kg. Com vasoconstritor (adrenalina), a dose pode ser aumentada para 7 mg/kg.
O tratamento inicial inclui suporte ventilatório e circulatório, controle de convulsões (benzodiazepínicos) e, em casos de toxicidade cardiovascular grave, a administração de emulsão lipídica intravenosa (Intralipid) para 'sequestrar' o anestésico.
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