Intoxicação por Chumbinho (Aldicarb): Manejo e Antídoto

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Você está de plantão quando admite um paciente de 54 anos por tentativa de suicídio. Ele fez uso de doses elevadas de veneno para ratos, o aldicarb, popularmente conhecido como “chumbinho”. Na admissão encontra-se com hipersecreção pulmonar, salivação excessiva, bradicardia e com pupilas mióticas. Qual seria o medicamento mais adequado para o seu tratamento?

Alternativas

  1. A) Atropina.
  2. B) Bicarbonato de Sódio.
  3. C) Flumazenil.
  4. D) Naloxona.
  5. E) Vitamina K.

Pérola Clínica

Intoxicação por aldicarb ('chumbinho') → crise colinérgica (miose, bradicardia, hipersecreção) → tratamento com Atropina.

Resumo-Chave

O aldicarb ('chumbinho') é um carbamato que inibe a acetilcolinesterase, levando a uma crise colinérgica com sintomas muscarínicos e nicotínicos. A atropina é o antídoto de escolha para os efeitos muscarínicos, bloqueando os receptores de acetilcolina e revertendo a hipersecreção, bradicardia e miose.

Contexto Educacional

A intoxicação por aldicarb, popularmente conhecido como 'chumbinho', é uma emergência toxicológica grave e comum no Brasil, frequentemente associada a tentativas de suicídio. O aldicarb é um carbamato, uma classe de pesticidas que age como inibidor reversível da enzima acetilcolinesterase. Essa inibição leva ao acúmulo de acetilcolina na fenda sináptica, resultando em uma síndrome colinérgica. Os sinais e sintomas da crise colinérgica são variados e podem ser agrupados em efeitos muscarínicos (miose, broncorreia, broncoespasmo, bradicardia, salivação, lacrimejamento, vômitos, diarreia, sudorese) e nicotínicos (fasciculações, fraqueza muscular, paralisia). O diagnóstico é clínico, baseado na história de exposição e nos sintomas apresentados. A rapidez no reconhecimento e tratamento é crucial para a sobrevida do paciente. O tratamento primário para a intoxicação por carbamatos é a atropina, administrada para antagonizar os efeitos muscarínicos da acetilcolina. A dose deve ser titulada até a atropinização (secura de mucosas, desaparecimento da broncorreia, frequência cardíaca > 80 bpm). Em casos de intoxicação por organofosforados (que causam inibição irreversível), além da atropina, pode-se usar pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase. Para residentes, é vital diferenciar os mecanismos e tratamentos específicos para cada classe de inibidores da colinesterase e iniciar o suporte ventilatório e hemodinâmico conforme necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da intoxicação por aldicarb ('chumbinho')?

A intoxicação por aldicarb, um carbamato, causa uma crise colinérgica com sintomas muscarínicos (miose, salivação, lacrimejamento, broncorreia, broncoespasmo, bradicardia, vômitos, diarreia) e nicotínicos (fraqueza muscular, fasciculações, paralisia). O paciente do enunciado apresenta sinais muscarínicos clássicos.

Qual é o tratamento mais adequado para a intoxicação por aldicarb?

O tratamento mais adequado é a atropina, que atua como antagonista competitivo nos receptores muscarínicos de acetilcolina, revertendo os efeitos como bradicardia, miose e hipersecreção. Em casos graves, pode ser necessário o uso de pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase, especialmente em intoxicações por organofosforados, mas para carbamatos a atropina é a principal.

Por que a atropina é o medicamento de escolha nesse tipo de intoxicação?

A atropina é o medicamento de escolha porque o aldicarb inibe a acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina na fenda sináptica. A atropina bloqueia os receptores muscarínicos, competindo com a acetilcolina e revertendo os efeitos colinérgicos excessivos, como a bradicardia e a hipersecreção pulmonar.

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