UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2015
O processo produtivo agrícola brasileiro está cada vez mais dependente dos agrotóxicos e fertilizantes químicos. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de agrotóxicos. A intoxicação pelo seu uso caracteriza-se pela exposição, pequena ou moderada, a produtos tóxicos ou a múltiplos produtos, acarretando danos, muitas vezes, irreversíveis aos indivíduos expostos. Em relação a esse agravo, atribua V (verdadeiro) ou F (Falso) às afirmativas a seguir.( ) As ações previstas pelo SUS à população exposta a agrotóxicos são assistenciais, enquanto as ações de vigilância, controle e monitoramento desses produtos são de atribuição específica da Secretaria do Meio Ambiente.( ) As fases da exposição, toxicocinética, toxicodinâmica e clínica, permitem definir abordagens para a assistência, prevenção e promoção da saúde das populações expostas e intoxicadas por agrotóxicos.( ) Para se monitorar a exposição humana a agrotóxicos, utilizam-se os marcadores biológicos ou biomarcadores. Esses biomarcadores podem ser: de exposição, de efeito e de susceptibilidade.( ) No caso de exposição ocupacional a organofosforados e carbamatos, deve-se monitorar a atividade da colinesterase, que não deve exceder 50% (plasmática) ou 30% (eritrocitária) dos níveis pré-ocupacionais.( ) Os agentes de controle de endemias, embora utilizem produtos agrotóxicos, estão isentos de risco de contaminação, pois utilizam produtos de baixa toxicidade.Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
SUS tem vigilância em agrotóxicos; biomarcadores de exposição/efeito monitoram; colinesterase ↓ indica intoxicação.
O SUS tem papel assistencial e de vigilância em intoxicações por agrotóxicos. Embora biomarcadores sejam usados, a aplicabilidade de todos os tipos (incluindo susceptibilidade) para monitoramento de exposição em massa é debatida. A queda da atividade da colinesterase é um indicador chave de intoxicação por organofosforados e carbamatos. Agentes de endemias, com produtos de baixa toxicidade e protocolos, têm risco de contaminação reduzido, mas não nulo.
A intoxicação por agrotóxicos representa um grave problema de saúde pública no Brasil, dada a crescente utilização desses produtos na agricultura. As exposições podem ser agudas ou crônicas, com danos muitas vezes irreversíveis aos indivíduos expostos, afetando diversos sistemas orgânicos. A vigilância em saúde ambiental e ocupacional é crucial para identificar, monitorar e prevenir esses agravos, sendo o Sistema Único de Saúde (SUS) um ator fundamental tanto na assistência aos casos quanto na vigilância epidemiológica e ambiental. O processo de intoxicação envolve fases como a exposição, toxicocinética (absorção, distribuição, metabolismo, excreção), toxicodinâmica (mecanismos de ação) e clínica (manifestações). A compreensão dessas fases é essencial para definir abordagens de assistência, prevenção e promoção da saúde. Para o monitoramento da exposição humana, utilizam-se biomarcadores, que podem ser de exposição (medem o agente ou seus metabólitos), de efeito (medem alterações biológicas precoces) e de susceptibilidade (indicam predisposição individual). No caso de organofosforados e carbamatos, a monitorização da atividade da colinesterase é um biomarcador de efeito importante, sendo que quedas significativas em relação aos níveis basais indicam intoxicação e necessidade de afastamento do trabalho. É importante ressaltar que, embora a toxicidade dos produtos possa variar, nenhum trabalhador que manipula agrotóxicos está isento de risco de contaminação. A utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a adoção de boas práticas de segurança são indispensáveis para minimizar os riscos. A educação e a conscientização sobre os perigos dos agrotóxicos são pilares para a proteção da saúde dos trabalhadores e da população em geral, sendo um tema de grande relevância para a formação de residentes em saúde coletiva e medicina do trabalho.
O SUS atua na assistência aos intoxicados, na vigilância epidemiológica e ambiental, e no monitoramento dos produtos, em conjunto com outros órgãos, visando a prevenção e o controle.
A queda da atividade da colinesterase plasmática ou eritrocitária é um biomarcador de efeito para exposição a organofosforados e carbamatos, indicando inibição enzimática e risco de intoxicação. Quedas significativas (ex: >25% plasmática, >50% eritrocitária) requerem afastamento.
Existem biomarcadores de exposição (indicam a presença do agente ou metabólito), de efeito (indicam uma alteração biológica precoce) e de susceptibilidade (indicam predisposição individual a um efeito tóxico).
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