Intoxicação por Agrotóxicos: Conduta na UBS e Notificação

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 32 anos, parda, ensino fundamental incompleto, trabalhadora rural, diarista no plantio de morango, procura Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixas de tonturas, dores de cabeça, cansaço, náuseas e falta de ar. Ela referiu que desde os 20 anos sofre com dores de cabeça frequentes, mas há 2 semanas, após uma pulverização de agrotóxicos, começou a apresentar os sintomas descritos. Disse ainda que sua colega de trabalho apresentava queixas similares. Ao ouvir esses relatos, a médica da UBS suspeita de intoxicação aguda por agrotóxicos. Nessa situação, qual é a conduta adequada a ser adotada na assistência?

Alternativas

  1. A) Encaminhar como caso suspeito ao centro de referência em saúde do trabalhador estadual e formalizar denúncia ao Ministério Público do Trabalho.
  2. B) Estabelecer nexo causal entre os sintomas e os resultados de exames complementares, para confirmar diagnóstico de intoxicação por agrotóxicos, e notificar a Vigilância em Saúde municipal.
  3. C) Tratar os sintomas, solicitar exames complementares, notificar o caso no Sistema de Notificação de Agravos e Doenças (Sinan), conceder atestado médico e solicitar matriciamento à Vigilância em Saúde do Trabalhador.
  4. D) Informar não ser responsável pelo preenchimento da comunicação de acidente de trabalho (CAT), por ser atribuição exclusiva da medicina do trabalho, no centro municipal de referência em saúde do trabalhador.

Pérola Clínica

Intoxicação por agrotóxicos → Notificar SINAN, tratar sintomas, atestado, matriciamento VST.

Resumo-Chave

A suspeita de intoxicação por agrotóxicos exige conduta imediata na UBS, incluindo o tratamento sintomático, a solicitação de exames para confirmação e, crucialmente, a notificação compulsória ao SINAN e o matriciamento à Vigilância em Saúde do Trabalhador para investigação e acompanhamento.

Contexto Educacional

A intoxicação por agrotóxicos representa um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões agrícolas. É crucial que o médico da Atenção Primária à Saúde (APS) esteja apto a identificar, manejar e notificar esses casos. A exposição ocupacional é a principal via, e os sintomas podem ser inespecíficos, exigindo alta suspeição clínica, especialmente em trabalhadores rurais. A fisiopatologia varia conforme o tipo de agrotóxico. Organofosforados e carbamatos, por exemplo, inibem a acetilcolinesterase, levando ao acúmulo de acetilcolina e à síndrome colinérgica. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial (ex: dosagem de colinesterase). A suspeita deve surgir diante de sintomas neurológicos, gastrointestinais ou respiratórios em indivíduos com histórico de exposição recente. A conduta inicial na UBS envolve o tratamento sintomático e de suporte, a solicitação de exames complementares para confirmação e avaliação da gravidade. É imperativa a notificação do caso no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e a emissão de atestado médico. O matriciamento à Vigilância em Saúde do Trabalhador (VISAT) é fundamental para a investigação do nexo causal, acompanhamento do trabalhador e intervenções no ambiente de trabalho.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de intoxicação aguda por agrotóxicos?

Os sintomas variam conforme o tipo de agrotóxico, mas podem incluir tontura, cefaleia, náuseas, vômitos, diarreia, sudorese, miose, broncoespasmo e fraqueza muscular, especialmente em organofosforados e carbamatos.

Qual a importância da notificação de intoxicação por agrotóxicos no SINAN?

A notificação é compulsória e essencial para monitorar a ocorrência de intoxicações, identificar áreas de risco, planejar ações de prevenção e controle, e subsidiar políticas públicas de saúde do trabalhador.

Como a Atenção Primária pode atuar na prevenção da intoxicação por agrotóxicos?

A APS pode realizar educação em saúde sobre uso seguro de agrotóxicos, identificar grupos de risco, monitorar a saúde de trabalhadores rurais e encaminhar casos suspeitos para a Vigilância em Saúde do Trabalhador.

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