Intoxicação por Agrotóxicos: Diagnóstico e Conduta na UBS

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 35a, procura Unidade Básica de Saúde com queixa de tontura, dor de cabeça, cansaço e náuseas. Trabalha diariamente na horta perto da sua casa. Colega de trabalho apresenta sintomas semelhantes. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Realizar notificação de intoxicação crônica por hidrocarboneto e afastar do trabalho.
  2. B) Receitar sintomáticos, afastar o paciente e encaminhar ao neurologista.
  3. C) Solicitar dosagem de eletrólitos, prescrever hidratação endovenosa e medidas para tratamento de insolação.
  4. D) Solicitar exames complementares, afastar o paciente e investigar condições de trabalho e produtos usados.

Pérola Clínica

Sintomas inespecíficos + exposição ocupacional rural + casos semelhantes → suspeitar intoxicação por agrotóxicos, afastar e investigar.

Resumo-Chave

A presença de sintomas inespecíficos (tontura, cefaleia, cansaço, náuseas) em trabalhadores rurais, especialmente com casos semelhantes entre colegas, levanta forte suspeita de intoxicação por agrotóxicos (organofosforados ou carbamatos). A conduta inicial deve ser afastar o paciente do risco, solicitar exames específicos (ex: colinesterase) e investigar as condições de trabalho.

Contexto Educacional

A saúde do trabalhador rural é uma área de grande relevância na atenção primária, com a intoxicação por agrotóxicos sendo um agravo comum e potencialmente grave. Agrotóxicos, especialmente organofosforados e carbamatos, são amplamente utilizados na agricultura e podem causar uma gama de sintomas, desde inespecíficos (tontura, cefaleia, náuseas, cansaço) até quadros graves de síndrome colinérgica. A suspeita deve ser alta quando há histórico de exposição ocupacional e/ou casos semelhantes na mesma equipe de trabalho. Ao atender um paciente com esses sintomas e histórico, a conduta inicial na Unidade Básica de Saúde (UBS) é crucial. Primeiramente, o paciente deve ser afastado imediatamente da fonte de exposição para evitar maior contaminação. Em seguida, a investigação diagnóstica deve incluir a solicitação de exames complementares, como a dosagem da atividade da colinesterase (plasmática e/ou eritrocitária), que é um biomarcador da exposição a organofosforados e carbamatos. Além do manejo clínico individual, é imperativo notificar o caso às autoridades de saúde e de segurança do trabalho. A investigação das condições de trabalho, dos produtos utilizados e das práticas de segurança é fundamental para identificar a fonte da intoxicação, implementar medidas preventivas e proteger outros trabalhadores. A abordagem integrada entre clínica, saúde pública e saúde ocupacional é essencial para o manejo eficaz desses casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas comuns de intoxicação por agrotóxicos organofosforados ou carbamatos?

Os sintomas podem ser inespecíficos, como tontura, dor de cabeça, náuseas, vômitos, diarreia, sudorese, salivação excessiva, miose, fraqueza muscular e, em casos graves, convulsões e coma.

Qual exame laboratorial é crucial para o diagnóstico de intoxicação por organofosforados/carbamatos?

A dosagem da atividade da colinesterase (plasmática e/ou eritrocitária) é o exame mais importante. A inibição dessa enzima é um marcador da exposição e do efeito desses agrotóxicos.

Qual a importância de afastar o trabalhador e investigar o ambiente de trabalho?

O afastamento imediato do trabalhador do ambiente de risco é essencial para interromper a exposição e prevenir agravamento. A investigação das condições de trabalho e dos produtos utilizados é crucial para identificar a fonte da intoxicação e implementar medidas de controle para proteger outros trabalhadores.

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