HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma trabalhadora rural de 30 anos de idade, em plantio de tomate há dois meses, refere tonturas, dores de cabeça, cansaço, náuseas, geralmente no final do dia de trabalho, há duas semanas, após a plantação ter sido pulverizada com agrotóxicos, e informa que uma colega de trabalho apresenta quadro semelhante. O médico suspeitou tratar-se de um caso de intoxicação por agrotóxicos e afastou-a do trabalho por uma semana, com nova avaliação, e notificou esse fato ao Sistema de Informação de Agravos e Notificações (SINAN), do Sistema Único de Saúde (SUS). No retorno, a paciente relatou melhora do quadro clínico. A respeito desse caso clínico, julgue o item.Em razão da melhora clínica que a trabalhadora relatou por ocasião do seu retorno para reavaliação, confirma-se o diagnóstico de intoxicação, por critério clínico epidemiológico.
Intoxicação por agrotóxicos: quadro clínico + história de exposição + melhora com afastamento → critério clínico-epidemiológico.
O diagnóstico de intoxicação por agrotóxicos, especialmente em contextos ocupacionais, pode ser confirmado por critérios clínico-epidemiológicos. A presença de sintomas compatíveis, história de exposição e melhora após o afastamento da fonte de exposição são elementos chave para essa confirmação, mesmo sem exames laboratoriais específicos imediatos.
A intoxicação por agrotóxicos é um grave problema de saúde pública e ocupacional, especialmente em regiões agrícolas. É fundamental que médicos e residentes estejam aptos a reconhecer os sinais e sintomas, que podem ser inespecíficos, e associá-los à história de exposição. A epidemiologia desempenha um papel crucial no diagnóstico, pois a ocorrência de múltiplos casos em um mesmo ambiente de trabalho ou comunidade reforça a suspeita de uma causa comum, como a exposição a pesticidas. O diagnóstico clínico-epidemiológico é uma ferramenta valiosa quando a confirmação laboratorial é demorada ou indisponível. Ele se baseia na tríade: história de exposição, quadro clínico compatível e, muitas vezes, a observação de melhora após o afastamento do agente agressor. Este critério é amplamente aceito e utilizado para a tomada de decisões clínicas e de saúde pública, como o afastamento do trabalhador e a notificação compulsória ao Sistema de Informação de Agravos e Notificações (SINAN). O manejo inicial envolve o afastamento da fonte de exposição, suporte sintomático e, se necessário, medidas específicas de desintoxicação. A notificação ao SINAN é obrigatória e essencial para que as autoridades de saúde possam investigar a causa, implementar medidas preventivas e proteger outros trabalhadores. A melhora clínica após o afastamento é um forte indicativo de que a exposição foi a causa dos sintomas, validando o diagnóstico inicial.
Os sintomas variam conforme o tipo de agrotóxico, mas frequentemente incluem tonturas, dores de cabeça, náuseas, vômitos, cansaço, sudorese excessiva, tremores e, em casos graves, convulsões e coma. A apresentação pode ser aguda ou crônica.
O diagnóstico clínico-epidemiológico baseia-se na associação de um quadro clínico compatível com a história de exposição a um agente tóxico, somado a dados epidemiológicos como a ocorrência de casos semelhantes na mesma área ou grupo de risco. A melhora após o afastamento da exposição reforça essa hipótese.
A notificação ao SINAN é crucial para a vigilância em saúde, permitindo monitorar a ocorrência de agravos, identificar áreas de risco, planejar ações de prevenção e controle, e avaliar a eficácia das políticas de saúde pública relacionadas à exposição a agrotóxicos.
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