UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Todas as sextas-feiras, o médico e a agente comunitária de saúde coordenam um grupo de moradores durante caminhada pelo bairro. Costumam passar por horta que fornece diferentes vegetais a vários comércios da cidade. O médico observou que os trabalhadores exercem parte de sua atividade em pé, porém curvados, notadamente para colocar as sementes no solo, e que não usam equipamentos de proteção individual ao pulverizarem agrotóxicos nas plantações. Após a caminhada, o médico retorna à horta e combina de atender em consulta todos os cinquenta e quatro trabalhadores rurais nas próximas duas semanas. Detecta quinze trabalhadores com lombalgia crônica, três com dermatite nos braços e um com queixa de fraqueza, roncos, sibilos, salivação aumentada, sudorese e bradicardia. O médico transferiu este último paciente para um serviço de urgência, ofereceu sessões de ginástica laboral e alongamento a todos os trabalhadores e lhes explicou sobre o nexo causal entre os sintomas e a atividade ocupacional.QUAL A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA PARA O MORADOR QUE FOI TRANSFERIDO AO SERVIÇO DE URGÊNCIA?
Intoxicação por organofosforados → Síndrome colinérgica: salivação, sudorese, bradicardia, broncoespasmo (roncos, sibilos).
A exposição ocupacional a agrotóxicos, especialmente organofosforados, pode levar à síndrome colinérgica, caracterizada por sinais e sintomas de hiperestimulação parassimpática. A identificação precoce e a remoção da exposição são cruciais para o manejo e para evitar complicações graves.
A intoxicação por agrotóxicos é um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões agrícolas. A exposição ocupacional a essas substâncias, como os organofosforados, pode levar a quadros agudos e crônicos, com alta morbimortalidade se não diagnosticados e tratados precocemente. A compreensão dos mecanismos e manifestações clínicas é crucial para a prática médica. Os organofosforados inibem a acetilcolinesterase, enzima responsável pela degradação da acetilcolina, resultando em acúmulo desse neurotransmissor nas sinapses e hiperestimulação colinérgica. A síndrome colinérgica manifesta-se com sintomas muscarínicos (bradicardia, broncoespasmo, hipersecreção) e nicotínicos (fraqueza muscular, fasciculações). O diagnóstico é clínico, e o tratamento envolve atropina para os efeitos muscarínicos e pralidoxima para reativar a acetilcolinesterase. Além da intoxicação aguda, a questão aborda outros problemas de saúde ocupacional, como lombalgia crônica e dermatite, ressaltando a importância da medicina do trabalho e da atenção primária na promoção da saúde e prevenção de doenças relacionadas ao trabalho. A educação sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a vigilância em saúde são medidas preventivas essenciais para proteger a saúde dos trabalhadores rurais.
Os sintomas clássicos incluem salivação aumentada, sudorese, lacrimejamento, broncoespasmo (roncos, sibilos), bradicardia, miose, vômitos, diarreia e, em casos graves, convulsões, paralisia muscular e coma, devido à hiperestimulação colinérgica.
A conduta inicial envolve a remoção imediata do paciente da fonte de exposição, descontaminação da pele e mucosas, suporte ventilatório e hemodinâmico, e administração de atropina para os efeitos muscarínicos e pralidoxima (se organofosforado) para reativar a acetilcolinesterase.
A atenção primária tem um papel fundamental na educação dos trabalhadores sobre o uso correto de EPIs, manejo seguro de agrotóxicos, reconhecimento precoce de sintomas e encaminhamento rápido para serviços de urgência, além de vigilância em saúde.
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