ENARE/ENAMED — Prova 2026
Mulher de 32 anos, parda, ensino fundamental incompleto, trabalhadora rural, diarista no plantio de morango, procura Unidade Básica de Saúde com queixas de tonturas, dores de cabeça, cansaço, náuseas e falta de ar. Ela referiu que desde os 20 anos sofre com dores de cabeça frequentes, mas há 2 semanas, após uma pulverização de agrotóxicos, começou a apresentar os sintomas descritos. Disse ainda que sua colega de trabalho apresentava queixas similares. Ao ouvir esses relatos, a médica da UBS suspeita de intoxicação aguda por agrotóxicos. Nessa situação, qual é a conduta adequada a ser adotada na assistência
Suspeita de intoxicação ocupacional → Tratar + Notificar SINAN + Emitir Atestado + Matriciamento.
Na suspeita de intoxicação por agrotóxicos, a conduta na atenção primária envolve o manejo clínico imediato, a notificação compulsória no SINAN e a articulação com a rede de vigilância.
A intoxicação por agrotóxicos é um grave problema de saúde pública no Brasil, especialmente entre trabalhadores rurais. O quadro clínico pode variar de sintomas inespecíficos (cefaleia, náuseas, tontura) a crises colinérgicas graves, dependendo do agente (organofosforados, carbamatos, etc.). O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico, exigindo uma anamnese que investigue o processo de trabalho e o uso de EPIs. No âmbito do SUS, a Rede de Atenção à Saúde deve estar preparada para o acolhimento e a notificação. A notificação no SINAN alimenta as estatísticas nacionais e dispara ações da Vigilância em Saúde. Além disso, a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) é um direito do trabalhador segurado e deve ser providenciada sempre que houver nexo causal estabelecido, independentemente da especialidade do médico assistente.
A notificação de intoxicação por agrotóxicos é compulsória e deve ser realizada imediatamente após a suspeita clínica, não sendo necessário aguardar resultados de exames laboratoriais confirmatórios para preencher a ficha do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Por ser um agravo de relevância para a saúde pública e vigilância sanitária, a rapidez na notificação permite intervenções coletivas no ambiente de trabalho e prevenção de novos casos.
Sim, o médico da Unidade Básica de Saúde (UBS) tem competência para estabelecer o nexo causal entre a atividade profissional e os sintomas apresentados, baseando-se na anamnese ocupacional detalhada e no exame físico. O nexo causal é a correlação entre a exposição no trabalho e o agravo à saúde. Embora o CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) possa auxiliar em casos complexos, a responsabilidade inicial de diagnóstico e notificação é da rede assistencial.
O matriciamento é uma estratégia de apoio técnico-pedagógico onde equipes especializadas, como as da Vigilância em Saúde do Trabalhador ou do CEREST, colaboram com as equipes de Saúde da Família. Isso fortalece a capacidade da atenção primária em identificar riscos ocupacionais, manejar intoxicações e implementar ações de vigilância nos territórios, garantindo uma assistência integral e interdisciplinar ao trabalhador exposto a riscos químicos.
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