Intoxicação Exógena em Crianças: Sinais Neurológicos

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020

Enunciado

J.F., 12 anos, é atendido no pronto-socorro pediátrico por sonolência e dificuldade de deambulação. Há 3 dias, sempre no mesmo horário, por volta do meio dia, a menina apresenta sonolência, fala sem nexo, movimentos irregulares e dificuldade de marcha que melhoram com o passar do dia. Nega febre, vômitos e outros sintomas. Antecedente pessoais nada digno denota. Antecedentes familiares: irmão com diagnóstico de epilepsia. Ao exame físico: bom estado geral, acianótica, anictérica, afebril, FC= 100 bpm, FR= 24 ipm, PA= 110x70 mmHg. O exame neurológico revela paciente sonolenta, desorientada, com nistagmo bilateral, força muscular de difícil avaliação, reflexos presentes, marcha de base alargada. Qual a principal suspeita diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Epilepsia
  2. B) Intoxicação exógena
  3. C) Tumor de cerebelo
  4. D) Malformação arteriovenosa
  5. E) Encefalite

Pérola Clínica

Quadro neurológico agudo, flutuante e com melhora diurna + nistagmo/ataxia → fortemente sugere intoxicação exógena em criança.

Resumo-Chave

A apresentação súbita e flutuante de sintomas neurológicos como sonolência, desorientação, nistagmo e ataxia, com melhora ao longo do dia, é altamente sugestiva de intoxicação exógena, especialmente em crianças. O histórico familiar de epilepsia pode ser um distrator.

Contexto Educacional

A intoxicação exógena em crianças é uma emergência pediátrica comum e potencialmente grave, exigindo reconhecimento rápido e manejo adequado. A apresentação clínica pode ser muito variada, dependendo da substância envolvida, da dose e da idade da criança. Os sintomas neurológicos são frequentemente proeminentes e podem mimetizar outras condições neurológicas, tornando o diagnóstico diferencial um desafio. No caso apresentado, a sonolência, fala sem nexo, movimentos irregulares, dificuldade de marcha (ataxia), nistagmo bilateral e a flutuação dos sintomas com melhora ao longo do dia são características altamente sugestivas de intoxicação exógena. O nistagmo e a ataxia são sinais cerebelares que podem ser induzidos por diversas substâncias, como anticonvulsivantes, sedativos, álcool ou outras drogas. A melhora diurna sugere que a substância está sendo metabolizada ou eliminada. O diagnóstico diferencial inclui epilepsia (embora a flutuação e a melhora diurna sejam atípicas para crises), tumores cerebrais (geralmente com progressão mais insidiosa), encefalites (com febre e sinais inflamatórios) e malformações arteriovenosas (com sintomas mais focais ou hemorrágicos). A história detalhada, incluindo acesso a medicamentos ou substâncias tóxicas, é crucial. O manejo inicial foca na estabilização do paciente e, se possível, na identificação da substância para tratamento específico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para intoxicação exógena em crianças?

Sinais de alerta incluem alteração súbita do nível de consciência, ataxia, nistagmo, convulsões, alterações pupilares, vômitos inexplicáveis e sintomas que flutuam ou melhoram ao longo do dia.

Como diferenciar intoxicação exógena de epilepsia em crianças?

A intoxicação frequentemente apresenta um início mais agudo e flutuante dos sintomas, com melhora parcial, e pode incluir sinais como nistagmo e ataxia que não são típicos de uma crise epiléptica isolada.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de intoxicação exógena em pediatria?

A conduta inicial envolve estabilização do paciente (ABC), coleta de história detalhada, exame físico completo, exames laboratoriais (incluindo triagem toxicológica) e, se indicado, medidas de descontaminação e antídotos específicos.

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