HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
J.F., 12 anos, é atendido no pronto-socorro pediátrico por sonolência e dificuldade de deambulação. Há 3 dias, sempre no mesmo horário, por volta do meio dia, a menina apresenta sonolência, fala sem nexo, movimentos irregulares e dificuldade de marcha que melhoram com o passar do dia. Nega febre, vômitos e outros sintomas. Antecedente pessoais nada digno denota. Antecedentes familiares: irmão com diagnóstico de epilepsia. Ao exame físico: bom estado geral, acianótica, anictérica, afebril, FC= 100 bpm, FR= 24 ipm, PA= 110x70 mmHg. O exame neurológico revela paciente sonolenta, desorientada, com nistagmo bilateral, força muscular de difícil avaliação, reflexos presentes, marcha de base alargada. Qual a principal suspeita diagnóstica?
Sonolência, ataxia e desorientação com melhora diária e padrão horário → suspeitar intoxicação exógena em crianças.
A apresentação clínica com sintomas neurológicos flutuantes, recorrentes em horários específicos e com melhora espontânea, sugere fortemente uma causa exógena, como intoxicação, que pode ser acidental ou intencional. A história familiar de epilepsia é um distrator.
A intoxicação exógena em pediatria é uma emergência comum, muitas vezes acidental, mas que pode ser intencional. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer seus sinais e sintomas, que podem ser variados e mimetizar outras condições neurológicas. A epidemiologia mostra que crianças pequenas são as mais afetadas devido à curiosidade e acesso facilitado a produtos domésticos e medicamentos. A fisiopatologia depende do agente tóxico, mas os sintomas neurológicos como sonolência, ataxia, nistagmo e desorientação são frequentes. A suspeita diagnóstica deve ser alta em casos de sintomas neurológicos agudos, flutuantes, com padrão de recorrência ou melhora espontânea, e sem outra causa aparente. A história detalhada de exposição é fundamental, mas nem sempre disponível. O tratamento inicial visa a estabilização do paciente, suporte vital e, se possível, a identificação e remoção do agente tóxico. O prognóstico depende da substância, dose e rapidez do tratamento. Pontos de atenção incluem a importância de considerar a intoxicação em diagnósticos diferenciais de quadros neurológicos atípicos e a prevenção de novas exposições.
Sinais como sonolência, ataxia, fala sem nexo, desorientação e nistagmo, especialmente se recorrentes e com padrão de melhora, devem levantar a suspeita de intoxicação exógena.
A intoxicação exógena frequentemente apresenta um padrão de sintomas flutuantes, com melhora espontânea e recorrência em horários específicos, enquanto a epilepsia tende a ter crises mais estereotipadas e sem melhora tão evidente entre os episódios.
A abordagem inicial inclui estabilização do paciente, coleta de história detalhada (incluindo exposição a substâncias), exame físico completo e exames complementares para identificar o agente tóxico e avaliar a gravidade.
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