AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Duas horas após o almoço (regado a ceviches, sashimis, sushis, temakis e uramakis, à beira mar, em comemoração aos 10 anos de formados), várias pessoas que estiveram presentes compareceram ao pronto atendimento. O quadro dominante era de náuseas, diarreia e alguns com queixas de queimadura solar. Mais da metade referiu ter sentido gosto metálico acentuado, porém a coloração dos peixes foi referida como habitual. O chefe de plantão cogitou o diagnóstico de intoxicação escombroide. A fisiopatologia mais provável dessa microepidemia envolve:
Peixe mal conservado → conversão de histidina em histamina → Intoxicação Escombroide.
A escombroidose é uma intoxicação química por histamina pré-formada no peixe, simulando uma reação alérgica sistêmica aguda.
A intoxicação escombroide é uma das causas mais comuns de doenças transmitidas por pescados no mundo. Diferente da ciguatera, que envolve neurotoxinas, a escombroidose é essencialmente uma 'overdose' de histamina. A presença de aminas como cadaverina e putrescina potencializa a toxicidade da histamina ao inibir as enzimas que a degradam no intestino humano. O diagnóstico é clínico e epidemiológico. A coloração e o odor do peixe podem parecer normais, mas o relato de múltiplos indivíduos com sintomas idênticos após a mesma refeição é patognomônico. O controle rigoroso da temperatura da cadeia de frio desde a pesca é a única forma eficaz de prevenção.
A intoxicação escombroide ocorre devido à ingestão de peixes (especialmente atum, cavala e bonito) que foram mal conservados após a captura. Bactérias superficiais degradam o aminoácido histidina presente no tecido do peixe em histamina, saurina e outras aminas biogênicas como cadaverina e putrescina, que resistem ao cozimento.
Os sintomas surgem rapidamente (minutos a horas) e incluem rubor facial (semelhante a queimadura solar), sudorese, náuseas, vômitos, diarreia, cefaleia e um característico gosto metálico ou picante na boca. Em casos graves, pode haver broncoespasmo e hipotensão, mimetizando anafilaxia.
O tratamento é baseado no uso de anti-histamínicos (bloqueadores H1 e H2), que neutralizam os efeitos da histamina ingerida. Como não é uma reação mediada por IgE, a adrenalina raramente é necessária, a menos que haja instabilidade hemodinâmica grave ou edema de glote.
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