Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 65 anos de idade, apresentou sinais de descompensação cardíaca de moderada intensidade. Procurou Unidade Básica de Saúde e foi medicado com Digoxina 0,25 mg/dia e Furosemida 40 mg/dia. Após 20 dias voltou para o retorno, queixando-se de palpitações. Ao ECG observaram-se extra-sístoles ventriculares polifocais, PR de 0,24 seg e ondas U proeminentes. O quadro é compatível com:
Digoxina + Furosemida → hipocalemia → ↑ risco de intoxicação digitálica com arritmias e alterações ECG.
A combinação de digoxina com furosemida (diurético de alça) pode levar à hipocalemia, que potencializa os efeitos tóxicos da digoxina. As extra-sístoles ventriculares polifocais e alterações no ECG (PR prolongado, ondas U) são achados clássicos de intoxicação digitálica.
A digoxina é um glicosídeo cardíaco utilizado no tratamento da insuficiência cardíaca com disfunção sistólica e na fibrilação atrial para controle da frequência ventricular. Seu estreito índice terapêutico exige monitoramento cuidadoso, pois a intoxicação é uma complicação grave e potencialmente fatal. A coadministração com diuréticos de alça, como a furosemida, é comum em pacientes com insuficiência cardíaca, mas aumenta o risco de distúrbios eletrolíticos, principalmente hipocalemia. A hipocalemia é um fator crítico na intoxicação digitálica, pois o potássio compete com a digoxina pelos sítios de ligação na bomba Na+/K+-ATPase. Níveis baixos de potássio aumentam a ligação da digoxina, potencializando seus efeitos inotrópicos e cronotrópicos negativos, mas também seus efeitos arritmogênicos. As manifestações clínicas da intoxicação são variadas, incluindo sintomas gastrointestinais, neurológicos e, mais perigosamente, cardíacos, como as arritmias ventriculares polifocais e bloqueios atrioventriculares. O diagnóstico de intoxicação digitálica é clínico, suportado por achados eletrocardiográficos e níveis séricos de digoxina e eletrólitos. O manejo envolve a suspensão da digoxina, correção da hipocalemia e tratamento das arritmias. Em casos graves, pode ser necessário o uso de fragmentos de anticorpos antidigoxina (Fab). A prevenção é fundamental e inclui a monitorização regular dos níveis séricos de digoxina e eletrólitos, especialmente em pacientes idosos ou com insuficiência renal.
Os sinais e sintomas incluem náuseas, vômitos, anorexia, distúrbios visuais (visão amarelada/esverdeada), fadiga, confusão mental e, mais perigosamente, arritmias cardíacas como extra-sístoles ventriculares, taquicardia ventricular e bloqueios atrioventriculares.
A hipocalemia potencializa a ligação da digoxina à bomba Na+/K+-ATPase, aumentando sua inibição e, consequentemente, seus efeitos tóxicos no miocárdio, facilitando o surgimento de arritmias.
As alterações incluem prolongamento do intervalo PR, depressão do segmento ST em 'colher de pedreiro', encurtamento do QT, e arritmias como extra-sístoles ventriculares (especialmente polifocais ou bigeminismo), taquicardia ventricular e bloqueios AV. Ondas U proeminentes indicam hipocalemia.
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