HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Uma mulher de 78 anos vai ao consultório de Clínica Médica para uma consulta de acompanhamento clínico. Está assintomática. É portadora de insuficiência cardíaca e faz uso de furosemida, enalapril, metoprolol, espironolactona e digoxina. Ao exame físico, apresenta-se alerta e orientada. Os dados vitais são PA: 120 X 70mmHg, FC: 30bpm, FR: 17ipm, SpO₂ em ar ambiente 97%. O exame cardiovascular revela bradicardia e variação da fonese da primeira bulha. Sem outras anormalidades ao exame físico. Solicitou-se um eletrocardiograma apresentado a seguir:Considerando o caso descrito, assinale a conduta imediata MAIS ADEQUADA para essa paciente.
Bradicardia grave em paciente com digoxina + metoprolol → suspeitar toxicidade digitálica e/ou excesso de beta-bloqueador. Suspender agentes.
A bradicardia acentuada (FC 30 bpm) em uma paciente idosa com insuficiência cardíaca, em uso de digoxina e metoprolol, é altamente sugestiva de intoxicação digitálica e/ou efeito excessivo do beta-bloqueador. A conduta imediata mais adequada é suspender os medicamentos responsáveis e monitorar o paciente, avaliando a necessidade de intervenções adicionais se a bradicardia for sintomática ou persistir.
A bradicardia em pacientes idosos, especialmente aqueles com insuficiência cardíaca e em polifarmácia, é um achado clínico que exige atenção imediata. No caso descrito, a paciente utiliza digoxina e metoprolol, medicamentos conhecidos por seus efeitos cronotrópicos negativos. A digoxina, um glicosídeo cardíaco, aumenta o tônus vagal e inibe a bomba Na+/K+-ATPase, prolongando o período refratário do nó atrioventricular e diminuindo a frequência cardíaca. O metoprolol, um beta-bloqueador, reduz a atividade simpática, diminuindo a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica.A combinação desses dois medicamentos potencializa o risco de bradicardia e bloqueios atrioventriculares. A variação da fonese da primeira bulha no exame físico é um sinal clássico de dissociação atrioventricular, frequentemente associada à intoxicação digitálica. Diante de uma bradicardia tão acentuada (30 bpm), a primeira e mais crucial medida é a suspensão imediata dos agentes causadores, ou seja, digoxina e metoprolol.Após a suspensão, a paciente deve ser mantida sob monitorização clínica e eletrocardiográfica rigorosa. Se a bradicardia for sintomática (ex: hipotensão, tontura, síncope) ou se houver evidência de bloqueio AV avançado, medidas adicionais como atropina intravenosa ou, em casos refratários, a instalação de um marcapasso transcutâneo ou transvenoso podem ser necessárias. A avaliação dos níveis séricos de digoxina também é importante para confirmar a toxicidade.
A intoxicação digitálica pode manifestar-se com sintomas cardíacos (bradicardia, arritmias, bloqueios atrioventriculares, extrassístoles ventriculares), gastrointestinais (náuseas, vômitos, anorexia) e neurológicos (visão turva, halos coloridos, confusão, fadiga).
A conduta imediata é suspender os agentes causadores (digoxina e beta-bloqueador) e monitorar o paciente. Se a bradicardia for sintomática (hipotensão, síncope) ou persistir, pode ser necessário administrar atropina ou considerar um marcapasso temporário.
A digoxina aumenta o tônus vagal e retarda a condução no nó AV, enquanto o metoprolol (beta-bloqueador) diminui a frequência cardíaca e a condução AV. O uso concomitante potencializa esses efeitos, aumentando o risco de bradicardia e bloqueios atrioventriculares.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo