Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Uma senhora de 88 anos de idade apresenta quadro gastrointestinal agudo, com ocorrência de diarreia e vômitos, dor abdominal de forte intensidade e sensação de muita fraqueza, com dificuldade para ingerir inclusive líquidos. Não há relato de febre. Suspeita-se de intoxicação alimentar. Assinale a alternativa correta.
Idoso frágil com sintomas GI agudos graves (diarreia, vômitos, fraqueza) → observação hospitalar e hidratação IV.
Em pacientes idosos, especialmente com 88 anos e sintomas gastrointestinais agudos graves como diarreia, vômitos intensos e fraqueza, o risco de desidratação e desequilíbrio eletrolítico é muito alto. A conduta mais prudente é a observação em serviço de saúde para hidratação intravenosa e investigação da causa, pois a hidratação oral domiciliar pode ser insuficiente e perigosa.
A intoxicação alimentar em idosos, especialmente em pacientes muito idosos como o caso de 88 anos, representa um desafio clínico significativo devido à fragilidade inerente a essa faixa etária. Os sintomas gastrointestinais agudos, como diarreia, vômitos e dor abdominal, podem levar rapidamente à desidratação grave e a desequilíbrios eletrolíticos, com consequências potencialmente fatais, como insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas e confusão mental. A fisiopatologia da intoxicação alimentar envolve a ingestão de alimentos ou água contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou suas toxinas. Em idosos, a resposta imune pode ser atenuada, e a capacidade de compensar perdas hídricas e eletrolíticas é reduzida. A avaliação inicial deve focar na estabilidade hemodinâmica, grau de desidratação e presença de sinais de alarme, como alteração do nível de consciência ou hipotensão. A conduta mais prudente para um idoso com sintomas gastrointestinais agudos e graves é a observação em um serviço de saúde. Isso permite a hidratação intravenosa imediata, monitoramento dos sinais vitais e eletrólitos, e investigação da etiologia do quadro (ex: coprocultura, pesquisa de toxinas, exames de sangue). A hidratação oral domiciliar, embora adequada para casos leves em adultos jovens, é insuficiente e arriscada para pacientes idosos frágeis, que podem não conseguir repor as perdas adequadamente. O tratamento é principalmente de suporte, e antibióticos são reservados para casos específicos.
Os sinais de desidratação grave em idosos podem ser atípicos e incluem confusão mental, letargia, turgor cutâneo diminuído (menos confiável), boca seca, olhos encovados, hipotensão postural, taquicardia e oligúria. A sensação de fraqueza intensa e dificuldade de ingestão de líquidos são alertas importantes.
Idosos são mais vulneráveis devido à diminuição da reserva fisiológica (renal, cardiovascular), menor percepção da sede, uso de múltiplos medicamentos que podem interagir, e maior prevalência de comorbidades. Isso os torna mais propensos a desidratação rápida, desequilíbrios eletrolíticos, insuficiência renal aguda e arritmias cardíacas em quadros de diarreia e vômitos.
A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada para todas as intoxicações alimentares, pois a maioria é viral ou bacteriana autolimitada. É considerada em casos específicos de infecções bacterianas confirmadas (ex: Shigella, C. difficile, certas cepas de E. coli), em pacientes imunocomprometidos, com doença grave ou com alto risco de complicações, após avaliação clínica e, idealmente, cultura de fezes.
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