HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Homem, 47 anos, é atendido na unidade de pronto atendimento após crise convulsiva em via pública e sinais de embriaguez. Relata uso de álcool diário nos últimos anos com consumo médio de 1 L de cachaça por dia. Nega uso de outras substâncias psicoativas. Na admissão, apresenta confusão mental. Não são identificados sinais deataxia de mancha ou alterações oculomotoras. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável para a confusão mental do paciente.
Etilista crônico com confusão mental pós-crise convulsiva, sem sinais focais → Intoxicação alcoólica aguda é a hipótese mais provável.
Em um etilista crônico que apresenta confusão mental após uma crise convulsiva em via pública, a intoxicação alcoólica aguda é a hipótese mais provável, especialmente na ausência de sinais de abstinência grave (como delirium tremens) ou de deficiência de tiamina (como na Síndrome de Wernicke). A crise convulsiva pode ser precipitada pelo álcool ou pela abstinência, mas a confusão imediata sugere intoxicação.
Pacientes etilistas crônicos frequentemente apresentam-se ao pronto atendimento com uma variedade de manifestações neurológicas, desde intoxicação aguda até síndromes de abstinência e deficiências nutricionais. A confusão mental é um sintoma comum e exige um diagnóstico diferencial cuidadoso para guiar a conduta adequada. A história de uso diário de grande volume de álcool é um dado crucial. No caso apresentado, a crise convulsiva em via pública seguida de confusão mental, sem sinais de ataxia ou alterações oculomotoras, aponta para a intoxicação alcoólica aguda como a hipótese mais provável. O álcool, em altas doses, é um depressor do sistema nervoso central e pode causar rebaixamento do nível de consciência e confusão. Crises convulsivas podem ocorrer tanto na intoxicação aguda quanto na abstinência, mas a confusão imediata após o evento, sem outros sinais de abstinência grave, favorece a intoxicação. É fundamental diferenciar essa condição de outras emergências neurológicas relacionadas ao álcool. A Síndrome de Wernicke, causada por deficiência de tiamina, manifesta-se com a tríade clássica de encefalopatia, ataxia e oftalmoplegia, que não foram descritas no paciente. O Delirium Tremens, uma forma grave de abstinência, geralmente ocorre dias após a interrupção do consumo e é caracterizado por agitação psicomotora intensa, alucinações e disautonomia. A Síndrome de Korsakoff é uma complicação crônica da encefalopatia de Wernicke, marcada por amnésia anterógrada e confabulação. O manejo inicial de um etilista com confusão mental sempre inclui a administração de tiamina para prevenir ou tratar a encefalopatia de Wernicke, independentemente da causa da confusão.
A Síndrome de Wernicke é caracterizada pela tríade clássica de encefalopatia (confusão mental), ataxia (dificuldade de coordenação motora) e oftalmoplegia (paralisia dos músculos oculares). É causada pela deficiência de tiamina, comum em etilistas crônicos.
A intoxicação alcoólica aguda causa confusão e rebaixamento do nível de consciência diretamente pela presença do álcool. O Delirium Tremens, por outro lado, é uma forma grave de síndrome de abstinência, que se manifesta 48-96 horas após a interrupção do consumo, com agitação psicomotora, alucinações, tremores intensos e disautonomia.
A conduta inicial envolve estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC), proteção contra novas crises, e investigação da causa da confusão. É fundamental administrar tiamina antes da glicose para prevenir ou tratar a encefalopatia de Wernicke, além de considerar a intoxicação ou abstinência como causas.
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