Diarreia Pós-Infecciosa: Intolerância Secundária à Lactose

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, 7 meses, apresenta história de infecção intestinal presumivelmente viral com quadro de diarreia e vômitos nos últimos 15 dias. Atualmente, já está sem vômitos ou febre mas persiste com evacuações frequentes, com fezes líquidas e explosivas (3 vezes ao dia). No exame físico, encontra-se hidratado, irritado, com peso adequado e uma dermatite de fraldas. Está aceitando bem os líquidos e a dieta habitual oferecida. A maior probabilidade é de que este bebê tenha

Alternativas

  1. A) uma enteroparasitose associada.
  2. B) uma intolerância secundária à lactose.
  3. C) um processo infeccioso ainda presente.
  4. D) desenvolvido uma alergia à proteína do leite de vaca.
  5. E) uma intercorrência infecciosa bacteriana concomitante.

Pérola Clínica

Diarreia persistente pós-gastroenterite viral em lactente, com fezes líquidas e explosivas, sugere intolerância secundária à lactose.

Resumo-Chave

Após uma infecção intestinal viral, o epitélio intestinal pode sofrer lesão transitória, resultando em deficiência temporária da lactase. Isso leva à má absorção de lactose, que fermenta no cólon, causando diarreia osmótica com fezes líquidas e explosivas, mesmo após a resolução da infecção inicial.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de 5 anos. Embora a maioria dos episódios seja autolimitada, alguns podem evoluir para diarreia persistente. Uma causa comum de diarreia persistente, especialmente após um episódio de gastroenterite viral, é a intolerância secundária à lactose. A fisiopatologia da intolerância secundária à lactose envolve a lesão transitória do epitélio intestinal, particularmente das vilosidades, onde a enzima lactase é produzida. Essa lesão, frequentemente causada por agentes infecciosos como rotavírus, leva a uma deficiência temporária de lactase. Sem a lactase, a lactose não digerida permanece no lúmen intestinal, atraindo água por osmose e sendo fermentada por bactérias colônicas, produzindo ácidos graxos de cadeia curta e gases, o que resulta em diarreia osmótica, fezes líquidas e explosivas, distensão abdominal e flatulência. O diagnóstico é clínico, baseado na história de gastroenterite prévia e nos sintomas característicos que persistem após a resolução da infecção. O tratamento consiste na exclusão temporária da lactose da dieta, utilizando fórmulas sem lactose ou reduzindo o consumo de laticínios, até a recuperação da mucosa intestinal, que geralmente ocorre em algumas semanas. É importante diferenciar da alergia à proteína do leite de vaca, que é uma resposta imunológica e requer exclusão mais rigorosa e prolongada das proteínas do leite.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas da intolerância secundária à lactose?

As características incluem diarreia aquosa, volumosa e explosiva, distensão abdominal, flatulência e cólicas, que pioram após a ingestão de produtos lácteos. A dermatite de fraldas também é comum devido à irritação da pele pelas fezes ácidas.

Por que a intolerância à lactose é frequentemente secundária a infecções intestinais?

Infecções intestinais, especialmente virais, podem danificar as vilosidades do intestino delgado, onde a enzima lactase é produzida. Essa lesão transitória leva à deficiência de lactase, impedindo a digestão da lactose e causando má absorção.

Como diferenciar intolerância secundária à lactose de alergia à proteína do leite de vaca (APLV)?

A intolerância à lactose causa sintomas gastrointestinais (diarreia, distensão) sem envolvimento de outros sistemas. A APLV, por ser uma reação imunológica, pode apresentar sintomas mais variados, incluindo cutâneos (urticária, eczema), respiratórios (sibilância) e gastrointestinais (vômitos, diarreia com sangue), e geralmente não é desencadeada por infecção prévia.

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