PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Filomena, de 12 meses de idade, previamente saudável, está apresentando diarreia líquida há sete dias, com fezes volumosas, sem sangue, eliminadas de forma explosiva acompanhada de distensão abdominal e assadura importante na região perianal. Ao exame físico, pesa 6Kg, está levemente enoftálmica, com sede, diurese diminuída. A perfusão de extremidades é de quatro segundos. Em uso de dieta normal para a idade e com fórmula alimentar habitual. Dentre as medidas terapêuticas listadas abaixo, a MAIS INDICADA para o tratamento desta criança é:
Diarreia explosiva + assadura + distensão pós-gastroenterite = Intolerância à lactose secundária.
A lesão da mucosa intestinal por infecções pode causar deficiência transitória de lactase, levando a uma diarreia osmótica caracterizada por fezes ácidas e explosivas.
A diarreia aguda é uma das principais causas de morbidade em lactentes. A intolerância secundária à lactose é uma complicação comum resultante da perda da borda em escova dos enterócitos. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na característica das fezes e na presença de dermatite perianal irritativa. No manejo terapêutico, embora a manutenção da dieta habitual seja a regra na diarreia aguda simples, a presença de sinais de má absorção de carboidratos justifica a retirada temporária da lactose. É importante diferenciar esta condição da APLV, que envolve mecanismos imunológicos e exige fórmulas hidrolisadas, enquanto na intolerância secundária, apenas a retirada do açúcar do leite resolve o quadro.
A lactase é uma enzima localizada na extremidade das vilosidades do intestino delgado. Durante um episódio de gastroenterite infecciosa, a inflamação e a descamação do epitélio destroem essas vilosidades, reduzindo a capacidade de digerir a lactose. A lactose não absorvida exerce efeito osmótico, atraindo água para o lúmen, e é fermentada por bactérias colônicas, gerando gases e ácidos orgânicos.
Os sinais clássicos incluem diarreia líquida e explosiva, distensão abdominal, flatulência excessiva e hiperemia perianal importante (assadura). A hiperemia ocorre porque as fezes tornam-se ácidas (pH < 5.5) devido à fermentação bacteriana da lactose não digerida, irritando a pele sensível do lactente.
A suspensão temporária da lactose (por 1 a 2 semanas) está indicada quando há sinais evidentes de má absorção (fezes explosivas e ácidas) que prejudicam a recuperação nutricional ou causam desconforto significativo. Assim que a mucosa intestinal se recupera, a produção de lactase retorna ao normal e a lactose pode ser reintroduzida gradualmente.
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