Intolerância à Lactose Secundária: Diagnóstico e Manejo

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Uma criança de 5 anos apresenta distensão abdominal, flatulência, diarreia aquosa e dor abdominal recorrente cerca de 30 minutos após o consumo de leite e derivados. Ela é previamente saudável, e os sintomas começaram nas últimas semanas após uma infecção gastrintestinal viral autolimitada. Considerando a suspeita de intolerância à lactose, qual dos seguintes achados laboratoriais ou testes diagnósticos seria mais indicativo de intolerância à lactose secundária, e qual é a abordagem terapêutica recomendada para essa condição?

Alternativas

  1. A) Níveis elevados de anticorpos IgE específicos para a lactose; retirar totalmente os produtos lácteos da dieta por 6 meses.
  2. B) Teste respiratório do hidrogênio positivo com aumento significativo de hidrogênio após a ingestão de lactose; introduzir lactase oral e gradualmente reintroduzir produtos lácteos na dieta.
  3. C) Presença de esteatorreia nas fezes; iniciar suplementação com enzimas pancreáticas e seguir com dieta isenta de lactose.
  4. D) Redução da glicose nas fezes com pH ácido; substituir o leite por fórmulas à base de aminoácidos e evitar completamente produtos lácteos.
  5. E) Teste de absorção de D-xilose anormal; realizar biópsia intestinal para avaliação de doença celíaca associada e iniciar dieta sem glúten.

Pérola Clínica

Intolerância à lactose secundária pós-viral → Teste respiratório H2 positivo + manejo com lactase oral e reintrodução gradual.

Resumo-Chave

A intolerância à lactose secundária é comum após gastroenterites virais devido à lesão transitória da mucosa intestinal e deficiência de lactase. O teste respiratório do hidrogênio é o padrão-ouro para diagnóstico, e o tratamento envolve suplementação enzimática e reintrodução gradual de laticínios, visando a recuperação da tolerância.

Contexto Educacional

A intolerância à lactose secundária é uma condição comum, especialmente em crianças, que se manifesta após lesões na mucosa intestinal, como as causadas por gastroenterites virais. A deficiência transitória da enzima lactase impede a digestão da lactose, levando a sintomas gastrointestinais. É crucial diferenciar essa condição de outras alergias ou intolerâncias para evitar restrições dietéticas desnecessárias e garantir um manejo adequado. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas após a ingestão de lactose, e confirmado pelo teste respiratório do hidrogênio, que detecta o hidrogênio produzido pela fermentação da lactose não absorvida. Outros testes, como o teste de tolerância à lactose, também podem ser utilizados. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas típicos que se iniciam após um quadro de infecção intestinal. O tratamento foca na melhora dos sintomas e na recuperação da tolerância. Isso geralmente envolve a suplementação de lactase oral antes do consumo de laticínios e a reintrodução gradual de produtos lácteos, permitindo que a mucosa intestinal se recupere e a atividade da lactase seja restaurada. A restrição dietética total e prolongada raramente é necessária e pode levar a deficiências nutricionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da intolerância à lactose secundária?

Os sintomas incluem distensão abdominal, flatulência, diarreia aquosa e dor abdominal, que ocorrem após o consumo de leite e derivados. Eles são indistinguíveis da intolerância primária, mas surgem após um evento como uma infecção gastrointestinal.

Como é feito o diagnóstico da intolerância à lactose secundária?

O teste respiratório do hidrogênio é o método diagnóstico mais comum e confiável. Ele mede o hidrogênio exalado após a ingestão de lactose, que é produzido pela fermentação bacteriana da lactose não digerida no cólon.

Qual a abordagem terapêutica recomendada para a intolerância à lactose secundária?

A abordagem inclui a introdução de lactase oral antes do consumo de laticínios e a reintrodução gradual de produtos lácteos na dieta. A restrição total e prolongada não é geralmente necessária, pois a condição costuma ser transitória.

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