UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2020
Uma menina de 7 anos apresentou quadro de diarreia, com febre e vômitos, por 5 dias, há 2 semanas. Os vômitos e a febre cessaram, porém a paciente mantém distensão abdominal e queixa-se de dor após ingestão de leite de vaca. Come bem outros alimentos, e nunca havia apresentado esses sinais anteriormente. Qual o provável diagnóstico?
Gastroenterite aguda → lesão mucosa → intolerância transitória à lactose (dor, distensão pós-leite).
O quadro de diarreia, febre e vômitos sugere uma gastroenterite aguda, que pode causar lesão temporária da mucosa intestinal e, consequentemente, deficiência transitória da lactase. Isso leva a sintomas de intolerância à lactose (dor e distensão após leite) que geralmente se resolvem com a recuperação da mucosa.
A intolerância à lactose transitória é uma condição comum em crianças após episódios de gastroenterite aguda, especialmente as de etiologia viral. A mucosa do intestino delgado, responsável pela produção da enzima lactase (que digere a lactose), pode ser temporariamente lesada pela infecção. Esta lesão resulta em uma deficiência secundária e reversível de lactase, levando à má absorção da lactose e, consequentemente, a sintomas como dor abdominal, distensão e diarreia após a ingestão de leite e derivados. A epidemiologia mostra que é mais frequente em crianças pequenas e em regiões com alta incidência de gastroenterites. A fisiopatologia envolve a fermentação da lactose não digerida por bactérias colônicas, produzindo ácidos graxos de cadeia curta e gases, que causam os sintomas. O diagnóstico é clínico, baseado na história de gastroenterite prévia e no surgimento dos sintomas após a ingestão de lactose. Testes como o teste de hidrogênio no ar expirado podem confirmar a má absorção, mas geralmente não são necessários em casos típicos. É crucial suspeitar dessa condição em crianças que, após um quadro infeccioso intestinal, desenvolvem sintomas gastrointestinais específicos ao consumo de leite. O tratamento consiste na exclusão temporária da lactose da dieta, ou na redução do consumo, até a recuperação da mucosa intestinal, que geralmente ocorre em algumas semanas. A reintrodução gradual da lactose é recomendada. O prognóstico é excelente, com resolução completa na maioria dos casos. Pontos de atenção incluem a orientação aos pais sobre a natureza transitória da condição e a importância de não confundir com alergia à proteína do leite de vaca, que exige uma exclusão mais rigorosa e prolongada.
Os sintomas incluem dor abdominal, distensão, flatulência e diarreia após a ingestão de produtos lácteos. Em crianças, pode haver irritabilidade e falha de crescimento em casos crônicos.
A gastroenterite, especialmente viral, pode danificar as células da borda em escova do intestino delgado, onde a enzima lactase é produzida. Essa lesão temporária reduz a produção de lactase, levando à má digestão da lactose.
A intolerância à lactose causa sintomas gastrointestinais (dor, diarreia, gases) sem envolver o sistema imunológico. A APLV é uma reação imunológica que pode ter sintomas gastrointestinais, cutâneos (urticária, eczema) e respiratórios, e geralmente se manifesta mais cedo na vida.
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