UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020
Paciente de 12 anos, masculino, apresenta há 3 anos fezes amolecidas, 3 a 4 vezes ao dia, distensão abdominal e flatulência. De 1 a 2 vezes ao mês apresenta vômitos. Nega febre, dor abdominal, diminuição de apetite ou perda de peso. Apresenta curva de crescimento adequada. Fez uso de albendazol por 5 dias sem melhora. Levando em consideração os dados apresentados, o diagnóstico diferencial inclui:
Diarreia crônica + distensão + flatulência + crescimento normal → pensar em intolerância à lactose primária.
A presença de diarreia crônica, distensão abdominal e flatulência em um paciente com curva de crescimento adequada, sem sinais de alarme como perda de peso ou febre, sugere uma condição funcional ou de má absorção leve, como a intolerância à lactose primária, que pode ser inicialmente abordada com uma prova terapêutica.
A diarreia crônica em pediatria é um desafio diagnóstico, mas a ausência de sinais de alarme como perda de peso, febre ou retardo do crescimento é um indicativo importante. Nesses casos, condições benignas ou de má absorção leve devem ser consideradas antes de investigações mais invasivas. A intolerância à lactose primária é uma causa comum de diarreia crônica, distensão abdominal e flatulência em crianças maiores e adolescentes. Ela resulta da diminuição da atividade da lactase no intestino delgado, que é fisiológica em muitos indivíduos após a infância. A abordagem inicial para suspeita de intolerância à lactose primária é uma prova terapêutica com dieta sem lactose por um período de 2 a 4 semanas. A melhora dos sintomas com a restrição e o reaparecimento com a reintrodução do leite e derivados confirmam o diagnóstico, evitando exames desnecessários e focando na educação alimentar.
Sinais de alarme incluem perda de peso, retardo do crescimento, febre persistente, dor abdominal intensa, sangue nas fezes, anemia, história familiar de doença inflamatória intestinal ou doença celíaca, e vômitos persistentes.
O diagnóstico inicial frequentemente envolve uma prova terapêutica com dieta isenta de lactose por 2 a 4 semanas. A melhora dos sintomas durante esse período e o retorno dos sintomas com a reintrodução confirmam a suspeita.
Além da intolerância à lactose, outros diferenciais incluem diarreia funcional (diarreia do lactente/criança pequena), síndrome do intestino irritável, supercrescimento bacteriano e, em alguns casos, alergia alimentar não-IgE mediada.
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