CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Com relação às alergias e intolerâncias alimentares em pediatria, é correto afirmar que:
Intolerância à lactose = deficiência lactase → manejo com enzimas exógenas ou restrição dietética.
A intolerância à lactose, comum em crianças e adolescentes, é causada pela deficiência da enzima lactase e pode ser manejada eficazmente com a introdução de enzimas lactase exógenas ou restrição dietética. É crucial diferenciar da alergia alimentar, que envolve o sistema imunológico.
As alergias e intolerâncias alimentares representam um desafio significativo na pediatria, afetando a qualidade de vida das crianças e suas famílias. A Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é a alergia alimentar mais comum em lactentes, manifestando-se com sintomas gastrointestinais, cutâneos ou respiratórios. Seu manejo envolve a exclusão rigorosa da proteína do leite de vaca da dieta da mãe (se amamentando) ou o uso de fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos. A intolerância à lactose, por outro lado, é uma condição não imunológica causada pela deficiência da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose. É comum em crianças e adolescentes, podendo ser primária (genética) ou secundária (após gastroenterite). A fisiopatologia da intolerância à lactose reside na incapacidade de quebrar a lactose em glicose e galactose, levando à fermentação bacteriana no cólon, com produção de gases e ácidos, e um efeito osmótico que causa diarreia, distensão abdominal e flatulência. O diagnóstico é clínico, podendo ser auxiliado por testes como o teste de hidrogênio no ar expirado. O tratamento envolve a redução ou exclusão da lactose da dieta, ou o uso de enzimas lactase exógenas. É crucial que residentes compreendam as diferenças fisiopatológicas e clínicas entre alergias e intolerâncias para um diagnóstico e manejo precisos, evitando restrições dietéticas desnecessárias ou falha no tratamento de condições graves. A introdução de alimentos potencialmente alergênicos não deve ser retardada, seguindo as recomendações atuais para prevenção de alergias.
A alergia alimentar envolve uma resposta imunológica anormal a uma proteína alimentar, podendo ser grave. A intolerância alimentar, como a à lactose, é uma dificuldade em digerir um componente alimentar devido à falta de uma enzima, sem envolvimento imunológico.
Não necessariamente. Embora seja uma opção para alguns casos de APLV, cerca de 10-14% dos lactentes com APLV também podem reagir à proteína da soja (alergia cruzada). Fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos são geralmente as primeiras escolhas.
Não. As diretrizes atuais recomendam a introdução de alimentos potencialmente alergênicos por volta dos 4-6 meses de idade, juntamente com outros alimentos sólidos, mesmo em crianças com histórico familiar de atopia, pois a introdução precoce pode ser protetora.
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