Prova 2025
Um paciente de 22 anos apresenta quadro de distensão abdominal, flatulência excessiva e diarreia explosiva de aspecto aquoso cerca de 30 a 60 minutos após a ingestão de derivados do leite. Ele relata que os sintomas se intensificaram após um episódio grave de gastroenterite viral há dois meses. O exame de fezes revela um pH fecal de 5.0 (ácido) e a presença de substâncias redutoras. Considerando a fisiopatologia desse distúrbio de má absorção, qual é o mecanismo primário responsável pela diarreia apresentada?
O pH fecal ácido (< 6.0) em um contexto de diarreia aquosa é um forte indício de má absorção de carboidratos, pois a fermentação bacteriana gera subprodutos ácidos.
A intolerância à lactose é uma das causas mais comuns de diarreia osmótica, caracterizada pela incapacidade de hidrolisar o dissacarídeo lactose em glicose e galactose. Isso ocorre devido à deficiência da enzima lactase, localizada nas microvilosidades da borda em escova dos enterócitos. Em adultos, a forma secundária é frequente após episódios de agressão à mucosa, como gastroenterites virais, que 'varrem' as enzimas superficiais. Clinicamente, o paciente apresenta distensão, flatulência e diarreia explosiva logo após a ingestão de laticínios. O diagnóstico é sugerido pela história clínica e corroborado por exames como o teste do hidrogênio expirado ou a análise das fezes, que revela pH ácido (< 5.5) e presença de substâncias redutoras, refletindo a fermentação bacteriana dos açúcares não digeridos. O manejo foca na restrição dietética temporária ou permanente de lactose, dependendo da causa, ou na reposição enzimática oral. É fundamental diferenciar a intolerância da alergia à proteína do leite de vaca (APLV), que envolve mecanismos imunológicos e pode apresentar manifestações sistêmicas e dermatológicas.
A enzima lactase fica na ponta das vilosidades intestinais, que são as estruturas mais facilmente danificadas por infecções ou inflamações, causando uma deficiência transitória.
São açúcares não absorvidos (como a lactose, glicose ou galactose) que permanecem nas fezes e reagem quimicamente no teste.
O teste do hidrogênio expirado é frequentemente utilizado, detectando o gás produzido pela fermentação bacteriana da lactose não absorvida.
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