INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mãe comparece à Unidade Básica de Saúde com filha de 7 meses, previamente hígida, com quadro de diarreia há 12 dias, com fezes líquidas desde o início do quadro. Nega cirurgias prévias, vômitos, febre ou presença de sangue nas fezes. Atualmente apresenta dermatite em região de fraldas e evacuações explosivas. Alimentada exclusivamente com leite materno até completar 4 meses de idade, sua alimentação consiste em leite em pó integral, suco e papa de frutas. Não apresenta perda de peso significante. Com base no quadro clínico apresentado, o diagnóstico e a conduta adequada para esta lactente são, respectivamente:
Diarreia líquida + Fezes explosivas + Dermatite perianal → Intolerância à lactose secundária.
A introdução precoce de leite de vaca integral pode causar lesão na borda em escova dos enterócitos, levando à deficiência de lactase e diarreia osmótica ácida.
A intolerância à lactose no primeiro ano de vida é frequentemente secundária a insultos na mucosa intestinal. O leite de vaca integral, além de inadequado nutricionalmente para menores de um ano, pode desencadear processos inflamatórios que reduzem a atividade da lactase, localizada no ápice das vilosidades intestinais. O quadro clínico clássico de diarreia osmótica é caracterizado por pH fecal baixo (< 5.5) e presença de substâncias redutoras nas fezes. A dermatite de fraldas associada é tipicamente perianal e erosiva, devido ao contato direto da pele com as fezes ácidas e ricas em enzimas proteolíticas.
A intolerância à lactose é um processo bioquímico de má absorção de açúcar (carboidrato), manifestando-se com diarreia osmótica, flatulência e fezes ácidas que causam dermatite perianal. Já a APLV é uma reação imunológica às proteínas do leite, podendo apresentar sintomas sistêmicos, sangue nas fezes (proctocolite), vômitos e manifestações cutâneas como urticária ou eczema.
Quando a lactose não é digerida pela enzima lactase no intestino delgado, ela chega ao cólon íntegra. Lá, sofre fermentação pela microbiota bacteriana, produzindo gases (H2, CO2, CH4) e ácidos orgânicos de cadeia curta. O aumento da pressão intraluminal pelos gases e o efeito osmótico da lactose não absorvida resultam em evacuações líquidas e explosivas.
A conduta principal é a retirada temporária da lactose da dieta (uso de fórmulas isentas de lactose ou substituição do leite integral) para permitir a recuperação da mucosa intestinal e da produção enzimática. Diferente da intolerância primária, a secundária costuma ser transitória, ocorrendo frequentemente após episódios de gastroenterite viral ou agressões dietéticas.
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