UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 38 anos teve o diagnóstico de diabetes gestacional com 25 semanas. Retorna 40 dias pós-parto para verificação do teste de tolerância oral à glicoce (75 g), cujos valores são: glicemia de jejum de 99 mg/dL e glicemia de 2 horas de 155 mg/dL.O resultado do exame é compatível com
TOTG 75g pós-parto: Glicemia 2h entre 140-199 mg/dL define Intolerância à Glicose (pré-diabetes), mesmo com jejum normal.
Mulheres com diabetes gestacional (DMG) devem ser reavaliadas no pós-parto com um TOTG 75g. Um resultado de glicemia de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL, independentemente do valor de jejum (desde que <126), classifica a paciente como portadora de intolerância à glicose, um estado de pré-diabetes.
O Diabetes Mellitus Gestacional (DMG) é uma condição de intolerância a carboidratos diagnosticada durante a gravidez que resolve após o parto na maioria das mulheres. No entanto, o DMG é um importante fator de risco para o desenvolvimento futuro de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). Por isso, a reavaliação do status glicêmico no período pós-parto é uma etapa fundamental do cuidado. O exame padrão para essa reavaliação é o Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose, realizado entre 4 e 12 semanas após o parto. A interpretação dos resultados segue os critérios da American Diabetes Association para a população geral. Os valores normais são uma glicemia de jejum < 100 mg/dL e uma glicemia de 2 horas < 140 mg/dL. O diagnóstico de DM2 é feito com jejum ≥ 126 mg/dL ou 2 horas ≥ 200 mg/dL. O estado intermediário, conhecido como pré-diabetes, engloba duas categorias: glicemia de jejum alterada (jejum de 100 a 125 mg/dL) e intolerância à glicose (2 horas de 140 a 199 mg/dL). No caso da questão, a paciente apresenta jejum normal (<100) mas a glicemia de 2 horas (155 mg/dL) está na faixa de intolerância à glicose. Este diagnóstico é de suma importância, pois sinaliza um alto risco de progressão para DM2, sendo uma janela de oportunidade para intervenções intensivas no estilo de vida.
Pré-diabetes é diagnosticado por um dos seguintes critérios: glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL (glicemia de jejum alterada), glicemia de 2h no TOTG 75g entre 140-199 mg/dL (intolerância à glicose), ou hemoglobina glicada (HbA1c) entre 5.7-6.4%.
O rastreamento com TOTG 75g é recomendado para todas as mulheres com histórico de DMG, devendo ser realizado entre 4 e 12 semanas após o parto para reclassificar seu status glicêmico.
Identificar esta condição é crucial, pois mulheres com histórico de DMG e diagnóstico de pré-diabetes no pós-parto têm um risco muito elevado (até 70% em 10 anos) de progredir para diabetes tipo 2. O diagnóstico permite a implementação precoce de estratégias de prevenção.
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