UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Adolescente, 15a, refere que experimentou maconha com seus amigos e que bebeu duas vezes em festa com seus pais. O médico deve:
Experimentação de substâncias no adolescente → Intervenção breve + orientação de abstinência + manutenção do sigilo.
A abordagem do uso experimental de substâncias na adolescência deve focar na intervenção breve para prevenir a progressão para o abuso, mantendo a aliança terapêutica através do sigilo.
A adolescência é um período de vulnerabilidade para o início do uso de substâncias devido à imaturidade do córtex pré-frontal e à busca por novidades. O médico deve utilizar ferramentas de triagem como o CRAFFT para avaliar o risco. A intervenção breve (IB) é a conduta padrão-ouro para casos de baixo a moderado risco, focando em informar sobre os riscos à saúde e ao desenvolvimento social. Éticamente, o Código de Ética Médica protege a confidencialidade do adolescente capaz de identificar seus interesses. A conduta deve ser acolhedora, sem julgamentos morais, visando fortalecer a autonomia do jovem. A orientação de abstinência deve ser apresentada como uma recomendação de saúde baseada em evidências sobre o desenvolvimento cerebral, e não como uma imposição autoritária.
A intervenção breve é uma técnica de aconselhamento de curta duração (5 a 15 minutos) realizada por profissionais não especialistas. Ela visa identificar um problema real ou potencial de uso de substâncias e motivar o paciente a mudar seu comportamento. Baseia-se no modelo de estágios de mudança e utiliza estratégias como o feedback de risco, a escuta reflexiva e o estabelecimento de metas, sendo altamente eficaz para adolescentes em fase de experimentação.
O sigilo médico é um direito do adolescente, mesmo que os pais paguem a consulta. A quebra do sigilo só é permitida e obrigatória quando há risco iminente de dano grave à vida do paciente ou de terceiros (ex: ideação suicida estruturada, risco de overdose, abuso sexual ou violência grave). No caso de experimentação de substâncias sem sinais de dependência ou risco agudo, o sigilo deve ser mantido para preservar a confiança.
Para adolescentes, a orientação de primeira linha é sempre a abstinência, pois o cérebro em desenvolvimento é mais vulnerável aos efeitos neurotóxicos e ao potencial de dependência das substâncias. A redução de danos é uma estratégia válida para usuários crônicos ou dependentes que não conseguem ou não desejam a abstinência imediata, visando diminuir riscos secundários, mas na experimentação inicial, o foco preventivo é evitar o uso.
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