Interpretação de Intervalo de Confiança em Estudos Clínicos

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Cinquenta e três indivíduos sedentários participaram de um estudo para avaliar a capacidade física através de um teste de corrida. A pressão diastólica (mmHg) foi medida em cada indivíduo antes e ao final da corrida. O intervalo de 95% de confiança para a mudança média da pressão diastólica (final-inicial) resultante foi de [0,82; 5,59]. Com base nesses resultados assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Ao nível de significância de 95%, não há diferença estatisticamente significante entre 0,82 e 5,59 mmHg.
  2. B) Noventa e cinco por cento dos indivíduos têm mudança na pressão diastólica entre 0,82 e 5,59 mmHg nos momentos avaliados.
  3. C) Há indícios de diferença estatisticamente significativa entre as médias da pressão diastólica quando comparamos os momentos avaliados ao nível de significância de 5%.
  4. D) Como o intervalo de 95% de confiança engloba o valor unitário, pode-se afirmar que não houve diferença de pressão diastólica nos momentos avaliados.

Pérola Clínica

IC 95% da diferença que NÃO contém o ZERO → p < 0,05 (estatisticamente significante).

Resumo-Chave

O intervalo de confiança para uma diferença de médias indica a faixa onde a verdadeira mudança populacional se encontra; se o zero não está incluído, a mudança é estatisticamente significativa ao nível de 5%.

Contexto Educacional

A bioestatística é fundamental para a leitura crítica de artigos científicos. O Intervalo de Confiança (IC) oferece muito mais informação que o valor de p isolado, pois além de indicar a significância estatística, ele demonstra a precisão da estimativa e a magnitude do efeito clínico. No caso da pressão diastólica, o IC [0,82; 5,59] mostra que houve um aumento médio estatisticamente significativo (p < 0,05), mas também nos permite avaliar a relevância clínica: o aumento pode ser tão pequeno quanto 0,82 mmHg ou tão grande quanto 5,59 mmHg. Se o intervalo fosse muito largo, a precisão seria baixa, sugerindo a necessidade de uma amostra maior (n) para estreitar a estimativa.

Perguntas Frequentes

O que significa o Intervalo de Confiança (IC) não conter o valor zero?

Quando analisamos a diferença entre dois momentos (como pressão final menos pressão inicial), o valor que representa a 'ausência de efeito' ou 'hipótese nula' é o zero. Se o intervalo de confiança de 95% para essa diferença é, por exemplo, [0,82; 5,59], todos os valores prováveis para a verdadeira média da população são positivos e maiores que zero. Isso significa que podemos rejeitar a hipótese nula de que não houve mudança com 95% de confiança, o que equivale a dizer que o resultado é estatisticamente significativo com um p-valor < 0,05.

Qual a diferença entre o valor de nulidade ser 0 ou 1 no IC?

A escolha do valor de nulidade depende da medida estatística utilizada. Para medidas de diferença (como diferença de médias ou diferença de riscos), o valor de nulidade é 0, pois 'A - B = 0' indica igualdade. Para medidas de associação baseadas em razão (como Risco Relativo, Odds Ratio ou Hazard Ratio), o valor de nulidade é 1, pois 'A / B = 1' indica que o risco é o mesmo nos dois grupos. Confundir esses valores é um erro comum em provas de residência.

O IC de 95% indica que 95% dos indivíduos estão naquela faixa?

Não, esse é um erro de interpretação frequente. O Intervalo de Confiança de 95% refere-se à estimativa do parâmetro populacional (a média real da população), não à distribuição dos dados individuais. Ele indica que, se repetíssemos o estudo 100 vezes, em 95 delas o intervalo calculado conteria a verdadeira média populacional. Para descrever onde se encontra a maioria dos indivíduos da amostra, utilizamos o Desvio Padrão ou o Intervalo de Predicção, não o Intervalo de Confiança da média.

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