USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2018
Uma menina de 8 anos de idade, vítima de maus-tratos pelo pai que, ao presenciar a falta de controle dos esfíncteres pela criança durante o sono, reagia nervoso. A equipe de saúde da família notificou o caso como suspeita de violência à criança, segundo o protocolo clínico e de regulação para violência doméstica. Feita a investigação com a cooperação de outros setores sociais (escola e conselhos tutelar e da assistência social), os resultados mostraram que não havia negligência da família em relação aos cuidados gerais prestados. A criança e os pais vêm recebendo assistência psicológica e continuam em seguimento na saúde da família. Na avaliação global do caso, foram observados diversos aspectos que podiam interferir na promoção da saúde e prevenção de doenças. Qual instrumento foi utilizado na organização do cuidado de atenção básica?
Cuidado integral em casos complexos (ex: violência) → Intersetorialidade, articulando diferentes setores e serviços.
A intersetorialidade é a articulação de diferentes setores (saúde, educação, assistência social, conselho tutelar) para abordar problemas complexos que transcendem a capacidade de um único setor, como a violência infantil, promovendo um cuidado integral e coordenado.
A Atenção Básica em Saúde (ABS) é a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS) e desempenha um papel estratégico na promoção da saúde, prevenção de doenças e cuidado integral. Casos complexos, como a violência infantil, exigem uma abordagem que transcende as fronteiras do setor saúde. A intersetorialidade surge como um instrumento essencial para a organização do cuidado, permitindo a articulação de diferentes políticas e serviços para responder de forma mais eficaz às necessidades da população. A violência infantil é um grave problema de saúde pública, com impactos profundos no desenvolvimento físico, emocional e social da criança. A notificação de casos suspeitos é um dever dos profissionais de saúde, conforme protocolos estabelecidos. No entanto, a resolução desses casos raramente se limita à intervenção médica. É necessário envolver outros atores sociais, como a escola, o Conselho Tutelar e os serviços de assistência social, para uma investigação completa e a oferta de suporte adequado à criança e à família. A intersetorialidade, ao promover a cooperação e a troca de informações entre os diferentes setores, permite a construção de uma rede de proteção mais robusta e um plano de cuidado mais abrangente. Isso garante que a criança receba não apenas assistência à saúde, mas também apoio psicossocial, educacional e jurídico, quando necessário. A atuação integrada da equipe de saúde da família com outros serviços sociais é um pilar fundamental para a promoção da saúde e a prevenção de agravos em situações de vulnerabilidade social.
Intersetorialidade é a articulação e cooperação entre diferentes setores (saúde, educação, assistência social, justiça) para enfrentar problemas complexos de saúde e sociais, buscando soluções integradas e abrangentes.
Em casos de violência infantil, a intersetorialidade é crucial porque a violência é um problema multifacetado que exige ações coordenadas de diversos setores para a proteção da criança, investigação, apoio psicossocial e prevenção de recorrências.
Na Atenção Básica, a intersetorialidade se manifesta através da colaboração da equipe de saúde da família com escolas, conselhos tutelares, serviços de assistência social e outras instituições para oferecer um cuidado integral que considere os determinantes sociais da saúde.
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